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	<title>Arquivo de Artigos - Clínica Auriciene Lidório</title>
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	<description>Atendimentos Individuais, Casais e Famílias</description>
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	<title>Arquivo de Artigos - Clínica Auriciene Lidório</title>
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		<title>Civilização e barbarismo: o perverso jogo de poder e a psicologia da sobrevivência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Aug 2024 01:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Na contemporaneidade, as discussões políticas e econômicas globais frequentemente se distanciam das realidades brutais enfrentadas por populações marginalizadas em regiões devastadas pela fome e pela guerra. Enquanto nações desenvolvidas debatem sobre guerras, comércio de armamentos e a economia global, muitos são forçados a práticas de sobrevivência que são vistas como &#8220;selvagens&#8221; por eles que as impõem, como é o caso específico da Namíbia (África) que vive uma crise de seca sem precedentes e deve abater mais de 80 elefantes para alimentar população (link para o artigo).</p>



<p>O que podemos pensar nos efeitos em uma população de um destes países a partir de um contexto desse? Olhamos para eles (populações nativas africanas) como “selvagens”, “primitivos” e nos designamos como “civilizados”, “avançados”, porque não temos tais práticas ou necessidades.</p>



<p>Sigmund Freud, em sua obra &#8220;O Mal-estar na Civilização&#8221; (1930), argumenta que a repressão de instintos primitivos é fundamental para a manutenção da civilização, mas essa repressão também gera um profundo mal-estar psíquico. A civilização, ao impor normas que restringem a expressão dos impulsos mais básicos do ser humano, cria um ambiente de constante tensão entre o desejo individual e as exigências sociais. Essa tensão, segundo Freud, é uma das causas principais do mal-estar que permeia a vida moderna.</p>



<p>No contexto das relações internacionais e das dinâmicas de poder global, essa repressão se manifesta na forma de uma divisão entre o que é considerado &#8220;civilizado&#8221; e &#8220;primitivo&#8221;. O ocidente, ao se autodenominar como civilizado, projeta o que é visto como primitivo em outras culturas, especialmente nas africanas. Essa projeção é uma forma de preservar a própria imagem de superioridade moral e cultural, ao mesmo tempo em que permite a imposição de práticas de sobrevivência bárbaras a essas populações, como o consumo de carne de animais selvagens em situações de extrema necessidade.</p>



<p>A perversão pode assumir múltiplas formas, o que nos ajuda a entender essa dinâmica. O que é visto como perverso ou bárbaro em uma cultura pode ser normalizado ou até imposto a outras como uma forma de controle e dominação. Nesse sentido, as políticas econômicas e de poder global que forçam populações a adotar práticas de sobrevivência selvagens são uma manifestação dessa perversão polimórfica, mascarada por uma fachada de civilidade.</p>



<p>A naturalização do selvagem, entendida aqui como a aceitação tácita de que certas populações devam viver em condições de sobrevivência extrema, é um dos subprodutos mais insidiosos da civilização moderna. No entanto, essa naturalização não ocorre de forma passiva; ela é ativamente construída e mantida através de mecanismos psíquicos como o recalque e a projeção.</p>



<p>Freud descreve o recalque como um processo pelo qual pensamentos ou desejos inaceitáveis são mantidos fora da consciência. No caso das sociedades ocidentais, o recalque é utilizado para afastar a culpa e a responsabilidade pelas condições de vida em regiões marginalizadas. Ao relegar a brutalidade da sobrevivência a um &#8220;outro&#8221; primitivo, as sociedades ocidentais conseguem manter sua autoimagem de civilidade intacta, negando sua própria cumplicidade na criação e manutenção dessas condições.</p>



<p>Esse recalque coletivo é complementado pela projeção, um mecanismo pelo qual os próprios impulsos ou desejos inaceitáveis são atribuídos a outros. Assim, a violência e a brutalidade da sobrevivência nas favelas, nas cidades marginalizadas e na África são vistas como características intrínsecas dessas populações, enquanto o ocidente permanece imaculado, incapaz de reconhecer que suas políticas econômicas e militares contribuem diretamente para essa situação.</p>



<p>Além disso, o povo afetado por essas condições, ao internalizar as práticas de sobrevivência brutais como uma norma, acaba por reforçar a naturalização do selvagem. A aceitação da luta pela sobrevivência como uma condição inevitável é um exemplo do que Freud descreveu como a &#8220;morte da alma&#8221;, onde o indivíduo, ou a coletividade, se resigna à condição imposta, renunciando a qualquer aspiração a algo além da mera sobrevivência.</p>



<p>Ao impor essas condições às populações marginalizadas, a civilização ocidental não só revela suas próprias contradições internas, mas também seu lado perverso. Freud, ao discutir o conceito de civilização, destacou que a repressão necessária para a vida em sociedade não elimina os impulsos destrutivos; ao contrário, ela os desloca e os reconfigura, muitas vezes em formas que são ainda mais destrutivas e insidiosas.</p>



<p>A imposição de práticas de sobrevivência bárbaras, como comer carne de animais selvagens, como única forma de sobrevivência é um exemplo claro dessa perversão civilizatória. O ocidente, ao negar sua própria barbárie, impõe a outros povos as condições que ele próprio considera inaceitáveis, criando uma dissonância moral que só pode ser sustentada através da repressão e da projeção.</p>



<p>Esse paradoxo da moralidade é uma das principais fontes do mal-estar na civilização. A civilização, ao tentar suprimir seus impulsos mais primitivos, acaba por projetá-los em outros, criando um ciclo de violência e repressão que perpetua o sofrimento tanto dos dominadores quanto dos dominados.</p>



<p>O mal-estar na civilização, conforme descrito por Freud, não se limita ao indivíduo; ele é um fenômeno coletivo que permeia as estruturas sociais e políticas globais. A naturalização do selvagem, a repressão dos impulsos primitivos e a projeção da barbárie em outros povos são manifestações desse mal-estar, que se perpetua através de um ciclo de repressão e violência.</p>



<p>Podemos nos perguntar: será que é realmente a única possibilidade nós (ocidentais) relegarmos os povos que denominamos de “selvagens” ou “primitivos” à sua própria sorte?</p>



<p>Freud nos ensina que muitos de nossos comportamentos, tanto individuais quanto coletivos, são movidos por desejos inconscientes que nem sempre correspondem aos valores ou ideais conscientes que professamos. No contexto global, a retenção de recursos por nações ricas pode ser vista como uma manifestação desse desejo inconsciente de poder e controle. Embora existam recursos financeiros suficientes no mundo para aliviar significativamente a pobreza e as condições de miséria, a distribuição desigual desses recursos revela um desejo de manter o <em>status quo</em>, onde alguns possuem e controlam muito enquanto outros têm pouco ou nada.</p>



<p>Esse desejo de controle está intimamente ligado ao conceito freudiano de <em>Thanatos</em> (instinto de morte), que se manifesta na destruição, na guerra e na exploração. As nações que detêm a maior parte dos recursos econômicos podem, inconscientemente, temer perder sua posição dominante no cenário global, o que as leva a reter recursos que poderiam ser usados para o bem comum. Essa retenção é, em essência, uma forma de preservar a &#8220;superioridade&#8221; civilizatória, mesmo que às custas da vida e do bem-estar de outros povos.</p>



<p>O recalque é um mecanismo de defesa que opera tanto no nível individual quanto no coletivo, permitindo que as sociedades ignorem ou neguem responsabilidades que, se reconhecidas, poderiam gerar um profundo mal-estar. O recalque coletivo do ocidente em relação à pobreza extrema e à fome em outras partes do mundo é um exemplo claro disso. Mesmo diante da abundância de recursos, as nações ricas frequentemente preferem investir em armamentos, guerras e políticas econômicas que perpetuam a desigualdade, em vez de alocar esses recursos para combater as causas da miséria global.</p>



<p>Esse recalque é acompanhado por um discurso falacioso que, sob a aparência de civilidade e boa vontade, perpetua a ideia de que o &#8220;mundo primitivo&#8221; e &#8220;selvagem&#8221; é responsável por sua própria condição. Essa narrativa serve para proteger o ocidente da culpa e da responsabilidade, mantendo a ilusão de que as nações ricas estão fazendo o máximo que podem, quando na realidade poderiam fazer muito mais.</p>



<p>Freud sugere que, através da projeção, atribuímos aos outros impulsos ou características que não podemos aceitar em nós mesmos. No contexto global, o ocidente projeta nos países pobres e em desenvolvimento a &#8220;barbárie&#8221; e o &#8220;selvagismo&#8221;, características que a própria civilização ocidental tem reprimido ou deslocado. Essa projeção permite que as nações ricas mantenham uma imagem de superioridade moral, enquanto evitam confrontar a verdade de que suas políticas econômicas e práticas coloniais contribuíram diretamente para as condições que agora veem como &#8220;selvagens&#8221;.</p>



<p>Assim, o mundo ocidental não apenas possui os recursos necessários para ajudar financeiramente e economicamente os países em necessidade, mas também detém uma responsabilidade histórica e moral de fazê-lo. No entanto, essa ajuda deve ir além das promessas falaciosas e discursos vazios. Deve ser uma prática real, consciente e comprometida, que reconheça as complexidades da situação e enfrente as causas estruturais da pobreza e da desigualdade.</p>



<p>Vale a pena ler:</p>



<p><a href="https://amzn.to/4e1ojHd">O Mal-estar na cultura</a></p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: <a href="https://wa.me/5543988232903">(43) 98823 2903</a><br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>
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		<title>O último refúgio: entendendo a crise suicida (parte 2)</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/o-ultimo-refugio-entendendo-a-crise-suicida-parte-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 01:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Suicídio é deserção?</p>



<p>O suicídio algumas vezes pode estar ligado a quadros de transtornos mentais como bipolaridade e transtorno de personalidade borderline, que aumentam significativamente os riscos de crises suicidas, frequentemente culminando no ato em si. Além disso, doenças terminais e a depressão são fatores que agravam a saúde mental, exigindo uma abordagem cuidadosa e integrada. A saúde mental deve ser tratada como um evento familiar que necessita de muita atenção, impedindo que os indivíduos lidem com suas dificuldades de maneira solitária e independente. Uma rede de apoio familiar e social robusta é essencial para que, em momentos de crise e dificuldade, especialmente quando acometidos por esses transtornos, os indivíduos sintam que não estão lutando sozinhos.</p>



<p><strong>A impessoalidade da vida e o desejo de desaparecer</strong></p>



<p>David Le Breton, em sua obra &#8220;Desaparecer de Si&#8221;, explora o tema do suicídio a partir da perspectiva da impessoalidade e indiferença na vida. Ele discute como a sensação de não ser mais de ninguém – de desaparecer de si mesmo – permeia a existência de muitas pessoas. Le Breton aponta que, mesmo tendo filhos, muitos se sentem impessoais, desejando desaparecer no sono, buscando uma fuga da presença na vida cotidiana. A depressão é marcada por um desejo profundo de dormir e de não estar presente, alimentando-se da fadiga, do burnout, e da imersão excessiva em atividades. Essas atividades, muitas vezes, servem como uma tentativa de anulação de si mesmo, uma forma de desaparecer no outro ou nas coisas.</p>



<p><strong>Crescimento e estabelecimento da crise suicida</strong></p>



<p>Quando a crise suicida se instala, ela encontra terreno fértil nesses sintomas e sentimentos para crescer e se estabelecer. A sensação de impessoalidade, a indiferença, e a exaustão emocional criam um ambiente onde a ideia de desaparecer de si mesmo se torna cada vez mais atraente. É importante aqui entender que esses sintomas não surgem isoladamente, mas são interligados e exacerbados pelos transtornos mentais e pelas condições de vida. É preciso sempre se lembrar disso: suicídio é a culminação de uma crise suicida, que está ligada à vida toda &#8211; tudo o que está interligado e sendo percebido muitas vezes de uma forma até alterada ou como também podemos chamar, dismórfica, todas as relações da vida da pessoa, a família, o trabalho, os estudos, afazeres, sentimentos, visão de mundo &#8211; tudo está ao mesmo intimamente interligado e paradoxalmente fragmentado e desintegrado funciona como uma teia dando a entender à mente dessa pessoa que sofre, como se tudo pudesse fazer sentido, demonstrando assim, a fragilidade pessoal e uma saúde mental frágil, contribuindo para o fatídico auto extermínio.</p>



<p><strong>A importância do suporte familiar e social</strong></p>



<p>Em tempos de crise é essencial que a sociedade e a família forneçam suporte constante e incondicional. Quem está em sofrimento deve sentir que não está sozinho em sua luta. A atenção à saúde mental não deve ser um esforço solitário, mas uma responsabilidade compartilhada. Somente através de uma rede de apoio completa e integrada é que podemos ajudar essas pessoas a encontrar força e esperança em momentos de desespero.</p>



<p>O entendimento do suicídio, portanto, especialmente em relação aos transtornos mentais graves, requer uma abordagem que envolva toda a família e a sociedade. É necessário criar um ambiente onde as pessoas sintam que há uma luta coletiva por sua vida e bem-estar, proporcionando apoio e compreensão contínuos. Ao reconhecer a profundidade dos sentimentos de impessoalidade (fragmentação da personalidade) e desespero, podemos trabalhar juntos para prevenir que essas crises se transformem em tragédias irreversíveis.</p>



<p>Cada um de nós tem um papel essencial e intransferível na luta contra o suicídio. Não se trata apenas de oferecer suporte àqueles em crise, mas também de cuidar da nossa própria vida com a máxima responsabilidade e integridade, pois, nossas ações, atitudes e presença impactam profundamente todos ao nosso redor &#8211; principalmente aqueles que estão em crise suicida. Ao viver de maneira consciente e empática, fortalecemos não apenas nossa própria saúde mental, mas também contribuímos para um ambiente mais saudável e solidário para todos.</p>



<p>Portanto, suicídio não é deserção nem covardia, porém, é um alerta de adoecimento profundo e de rebaixamento funcional completo de alguém que está imerso em uma sombra de dor tão profunda que atesta que não consegue mais cuidar de si mesmo, para resolver seus próprios problemas. No entanto, em seu último ato, através de uma violência extrema, revela uma falibilidade tão profunda que nos choca e nos evidencia em nosso próprio sentido de humanidade que perdeu o rumo como gregários.</p>



<p>É imperativo assumirmos a responsabilidade pela vida – a nossa e a dos outros. Juntos, temos o poder de criar um ambiente onde ninguém se sinta isolado em sua luta, onde cada vida seja valorizada e protegida com o cuidado e respeito que merece. Agora é o momento de agir com determinação e compaixão, pois a vida de cada pessoa está interligada e depende de nosso compromisso coletivo.</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</p>
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		<item>
		<title>A violência contra as mulheres: uma análise sociopsicocultural – parte 3</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Aug 2024 01:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao finalizar o outro artigo terminei falando que o ambiente familiar disfuncional, ao normalizar esses comportamentos, perpetua um ciclo de violência e subjugação. Para entender<a href="https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-3/" class="more-link">View More</a></p>
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<p>Ao finalizar o outro artigo terminei falando que o ambiente familiar disfuncional, ao normalizar esses comportamentos, perpetua um ciclo de violência e subjugação.</p>



<p>Para entender por que a violência contra as mulheres ocorre, é útil considerar a perspectiva de Winnicott, que argumentaria que a violência e a subjugação resultam de uma falha no ambiente facilitador. Nesse contexto, as necessidades emocionais básicas de segurança, reconhecimento e aceitação não são atendidas. A criança que cresce em um ambiente onde a violência é uma resposta comum a conflitos ou frustrações aprende a usar a violência como uma estratégia de vida. Além disso, a internalização de papéis de gênero rígidos e disfuncionais pode levar tanto homens quanto mulheres a perpetuar padrões de comportamento abusivo e subjugador.</p>



<p>Homens muitas vezes internalizam a necessidade de dominar para afirmar sua masculinidade, enquanto mulheres podem aceitar a subjugação como uma norma inevitável, buscando formas de se significarem através de relacionamentos abusivos. A falha em proporcionar um ambiente facilitador que valorize e respeite ambos os sexos igualmente contribuem para a perpetuação desses ciclos de violência e subjugação.</p>



<p>Winnicott, Freud e Laplanche oferecem diferentes perspectivas sobre a violência, especialmente em relação aos conceitos de excesso e a natureza polimórfica da violência (<em>natureza polimórfica significa que a pessoa experimenta prazer e desejos de formas variadas, geralmente associada à prazeres infantis, não desenvolvidos para a vida adulta – por exemplo: prazer em sentir ou provocar dor e violência</em>).</p>



<p>Winnicott descreve a violência como uma resposta ao fracasso do ambiente facilitador em fornecer segurança e nutrição emocional. Para ele, o excesso através da violência é uma tentativa de compensar uma identidade fragmentada e uma incapacidade de encontrar um lugar na sociedade. O excesso de raiva, por exemplo, pode ser uma manifestação dessa identidade fragmentada, onde o homem, sentindo-se impotente e inadequado, precisa afirmar seu poder sobre a mulher, tornando-a um objeto e reivindicando o direito de controlar sua vida e morte.</p>



<p>Freud aborda a violência através da lente dos impulsos instintivos, onde o excesso através da violência pode ser visto como uma expressão de pulsões destrutivas (<em>pulsões destrutivas são impulsos inconscientes que levam uma pessoa a causar dano a si mesma ou aos outros. Na psicanálise, essas pulsões são vistas como parte da natureza humana, direcionadas por forças internas que buscam a destruição e a agressão</em>) que não foram adequadamente sublimadas (<em>transformação de impulsos ou desejos instintivos, especialmente aqueles de natureza sexual ou agressiva, em ações ou comportamentos socialmente aceitáveis e construtivos. Na psicanálise, esse processo permite que a energia desses impulsos seja redirecionada para atividades como arte, trabalho ou esporte</em>). A relação assimétrica, onde o agressor não consegue reconhecer a humanidade da mulher, é uma tentativa de afirmar sua própria identidade em face de uma profunda insegurança e medo da castração simbólica (<em>refere-se ao medo ou percepção de perda de poder, autoridade ou identidade, frequentemente associada à ausência ou limitação de certas capacidades ou atributos desejados</em>).</p>



<p>Para Laplanche (2019), o conceito de &#8220;excesso&#8221; é central à sua compreensão destes fenômenos, especialmente em relação aos desejos e pulsões humanas. Ele vê o excesso como a manifestação de desejos que ultrapassam a capacidade do indivíduo de integrá-los de maneira saudável. Este excesso está frequentemente ligado à polimorfia dos impulsos (<em>frequentemente observado na sexualidade infantil, onde os impulsos são variados e não organizados conforme as normas adultas. Homens violentos são desintegrados da vida adulta e agem como infantis, sem condições de viver de forma adulta e contida</em>), que são diversos e muitas vezes conflitantes. Quando esses desejos não são devidamente <strong>contidos ou sublimados</strong>, eles podem se expressar de maneiras disfuncionais, incluindo comportamentos <strong>violentos</strong>. Na visão de Laplanche, o excesso é uma resposta à incapacidade de lidar com a complexidade e a intensidade dos próprios desejos, resultando em ações que tentam controlar ou eliminar o que é percebido como ameaçador ou incontrolável.</p>



<p>O homem, quando não consegue encontrar seu lugar na sociedade, tem uma formação reativa ao sexo oposto, pois a mulher exige dele coisas que ele não pode oferecer. Por exemplo, uma mulher que se divorcia do marido e não deseja mais o relacionamento exige que ele viva sozinho consigo mesmo. A falta de identidade e equilíbrio faz com que o homem não consiga lidar com sua raiva, impondo à mulher uma negação da existência e da vida, estendendo a morte simbólica que ele próprio já experimenta, quando ele morre para todos os limites e princípios, estendendo isso de forma prática chegando a tirar a vida da mulher, pelo simples fato dela desejar ter uma vida fora da convivência com ele.</p>



<p>Muitas mulheres têm a capacidade de serem criativas quando não têm o homem ao seu lado. Quando são abandonadas, reconstroem suas vidas com os filhos, promovem novas fontes de renda e sustento. Por outro lado, o homem, demonstra um empobrecimento muito grande, incapaz de respeitar o outro e a si mesmo na preservação da vida, infringindo os direitos humanos ao tirar da mulher o direito de ser humana e de fazer escolhas.</p>



<p>Há uma naturalização da violência, pois, entende-se que a forma estrutural da violência é maquiada por uma fachada de inevitabilidade histórica e de uma concepção de modelo masculino como que biologicamente criado para a violência: “<em>violência é coisa de homem</em>”. A estrutura de dominação é construída a partir destas visões de mundo, internalizada e naturalizada, onde o homem, naturalmente é violento. Bourdieu afirma que as relações de dominação são construídas socialmente, onde a estrutura é que a violência é um hábito masculino, como se o homem tivesse direito a usar a violência <strong>porque é homem.</strong></p>



<p><strong>Essa é uma das facetas do machismo: um sistema de domínio e violência. </strong>O machismo é um adoecimento da mente, uma extensão do masculino que não pode ser plenamente realizado, resultando em fragmentação e violência. O excesso através da violência é uma necessidade para aqueles que têm um vazio interior. Homens, utilizando-se da estrutura social machista, impõem às suas mulheres e as submetem a esse tipo de relacionamento, um relacionamento baseado na dominação, na objetificação e na violência como resposta às diferenças de pensamento e de desejo e enxergam isso como a única forma possível de existir.</p>



<p>De que maneira você, homem ou mulher que me lê, compreende o machismo e sua pior face – a violência, seja ela psicológica, física, econômica ou simbólica? Como você vê as pressões familiares e sociais para as escolhas conjugais e relacionais que levam mulheres a permanecerem em relacionamento abusivos? Que estratégias você mesmo pode implementar no seu meio (amigos, família, grupos de afinidade, comunidades eclesiásticas etc.) para apoiar mulheres a se libertarem destas condições?</p>



<p>Há muito o que fazer!</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: <a href="https://wa.me/5543988232903">(43) 98823 2903</a><br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>



<p><strong>Referências para consulta</strong></p>



<p>Bourdieu P. (1999). <a href="https://amzn.to/3A2YLuP">A dominação masculina</a>. Bertrand Brasil.</p>



<p>Costa, G. P., &amp; Katz, G. (1992). Dinâmica das relações conjugais. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Daquino, M. (2019). <a href="https://amzn.to/3WpB8DZ">A diferença sexual: gênero e psicanálise</a>. Aller.</p>



<p>Eiguer, A. (1985). <a href="https://amzn.to/4d0m077">Um divã para a família: do modelo grupal à terapia familiar psicanalítica</a>. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Ferreira, E. D. S., &amp; Danziato, L. J. B. (2019). A violência psicológica na mulher sob a luz da psicanálise: um estudo de caso. Cadernos de psicanálise (Rio de Janeiro), 41(40), 149-168.</p>



<p>Laplanche, J., &amp; Pontalis, J. B. (2019). <a href="https://amzn.to/3Swdk0h">O vocabulário da psicanálise</a>. Martins Fontes.</p>



<p>Machado, O. (2019). A violência contra as mulheres como crime de ódio.</p>



<p>Nobre, M. T. (2006). Resistências femininas e estratégias de enfrentamento da violência. In A. C. S. Paiva &amp; A. F. C. Vale. Estilísticas da sexualidade (pp. 115-136). Campinas: Pontes Editores</p>



<p>Rosa, M. D., &amp; Domingues, E. (2010). O método na pesquisa psicanalítica de fenômenos sociais e políticos: a utilização da entrevista e da observação. Psicologia &amp; Sociedade, 22, 180-188.</p>



<p>Winnicott, D. W. (1998b). <a href="https://amzn.to/3LLno1x">O ambiente e os processos de maturação</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2000). <a href="https://amzn.to/4d46Qhf">Da pediatria à psicanálise</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2001). <a href="https://amzn.to/4c5sYGI">A família e o desenvolvimento individual</a>.</p>



<p>Zanello, V. (2018). <a href="https://amzn.to/3LLlxKg">Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação.</a> Appris.</p>
<p>O post <a href="https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-3/">A violência contra as mulheres: uma análise sociopsicocultural – parte 3</a> apareceu primeiro em <a href="https://psicareweb.com.br">Clínica Auriciene Lidório</a>.</p>
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		<title>A violência contra as mulheres: uma análise sociopsicocultural – parte 2</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2024 01:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pausei o outro artigo falando sobre o trabalho penoso a ser feito, pois há uma trama que entremeia tudo. Zanello (2018) argumenta que o sofrimento<a href="https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-2/" class="more-link">View More</a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pausei o outro artigo falando sobre o trabalho penoso a ser feito, pois há uma trama que entremeia tudo.</p>



<p>Zanello (2018) argumenta que o sofrimento psíquico é gendrado, ou seja, os processos são marcados pelo gênero, gerando experiências diferentes para homens e mulheres. As mulheres são frequentemente sujeitas aos dispositivos do casamento, da maternidade e do amor, que impõem silêncio e resignação sobre sua existência. A cultura impõe às mulheres, por exemplo, que só farão sentido em suas vidas a partir da maternidade ou do casamento, que seu valor está vinculado ao homem e ao fruto desse homem – essa ideia manifesta o desprezo pela individualidade feminina como um ser humano único e, portanto, possuidor de vida em si mesma e com condições de tristeza e felicidade dentro e fora dos relacionamentos conjugais.</p>



<p>O que se quer na cultura é impor à mulher um silêncio. Um silêncio destrutivo que, desde muito cedo, ainda em casa, no relacionamento com irmãos e pais, muitas de nós ouvem que não somos nada e que devemos ficar caladas, que não devemos nos manifestar, nos chamam de exageradas quando colocamos para fora o que sentimos e nos sentimos deslocadas, sempre no lugar errado – é o que nos dizem.</p>



<p>As atitudes aprendidas na família de origem influenciam os relacionamentos futuros, perpetuando uma história de maus-tratos ao longo das gerações. Eiguer (1985) e Costa e Katz (1992) sugerem que a escolha do parceiro é influenciada por elementos inconscientes e primitivas relações com os pais, determinando em parte os relacionamentos amorosos e suas dinâmicas de poder.</p>



<p>Essa estrutura preconceituosa é organizada na sociedade e na cultura, nessas relações de opressão, exploração e dominação. Ela se manifesta não apenas nas relações íntimas, mas também em outras relações interpessoais e profissionais, frequentemente de formas sutis e naturalizadas.</p>



<p>Compreender a violência contra as mulheres exige uma análise profunda das estruturas patriarcais e dos modos de subjetivação que sustentam essa violência. É necessário desconstruir o machismo em todas as suas formas e promover uma cultura de respeito e igualdade. A psicanálise, como ação clínica e psicoeducacional, tenta, ao recuperar o singular no coletivo, desempenhar um papel importante nesse processo, oferecendo um espaço de reflexão e transformação para mulheres e homens.</p>



<p>Falo muito sobre Winnicott pois compreendo que a sua abordagem é o que de melhor temos para ajudar famílias a se estruturarem melhor e a compreenderem os problemas e as saídas criativas que possuímos.</p>



<p>Com ênfase nas relações iniciais e no ambiente facilitador, essa abordagem oferece uma lente rica para compreender como o contexto de formação familiar, a subjugação feminina e os atos de violência são engendrados. Destaca-se a importância do ambiente e das primeiras relações na formação do self e na saúde mental dos indivíduos. Esses conceitos são essenciais para analisar como padrões de violência e subjugação podem se enraizar e perpetuar dentro das estruturas familiares e sociais.</p>



<p>O &#8220;ambiente facilitador&#8221; que sempre me refiro é o ambiente inicial que sustenta e nutre o desenvolvimento emocional da criança. Esse ambiente, geralmente proporcionado pela mãe ou pela figura cuidadora principal, deve ser suficientemente bom para permitir que a criança desenvolva um senso de segurança e confiabilidade no mundo ao seu redor. No entanto, quando esse ambiente é disfuncional ou marcado por violência e subjugação, a capacidade da criança de formar um self coeso e saudável é comprometida.</p>



<p>O self verdadeiro se desenvolve a partir da experiência de ser cuidado de maneira consistente e empática. A ausência de um ambiente facilitador pode levar à formação de um &#8220;self falso&#8221;, onde o indivíduo adota comportamentos e identidades que são respostas adaptativas a um ambiente hostil. Em famílias onde a subjugação feminina e a violência são prevalentes, as crianças podem internalizar esses padrões como normativos, influenciando suas futuras relações e percepções de gênero.</p>



<p>As primeiras relações com as figuras parentais são muito importantes. A interação entre a criança e seus cuidadores estabelece as bases para a saúde mental e emocional. Em um ambiente onde a mãe é subjugada e o pai exerce controle violento, a criança pode desenvolver uma visão distorcida das relações de poder e intimidade. Essas experiências iniciais moldam suas expectativas e comportamentos em relações futuras, muitas vezes levando à repetição de padrões abusivos e subjugadores.</p>



<p>A subjugação feminina e os atos de violência dentro da família podem ser entendidos como expressões de uma dinâmica de poder disfuncional. O que acontece é que o agressor, muitas vezes reproduzindo comportamentos aprendidos na infância, exerce violência como uma forma de afirmar controle e lidar com sentimento de insegurança e impotência. O ambiente familiar disfuncional, ao normalizar esses comportamentos, perpetua um ciclo de violência e subjugação.</p>



<p>Continuemos na parte 3 desse artigo.</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: <a href="https://wa.me/5543988232903">(43) 98823 2903</a><br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>



<p><strong>Referências para consulta</strong></p>



<p>Bourdieu P. (1999). <a href="https://amzn.to/3A2YLuP">A dominação masculina</a>. Bertrand Brasil.</p>



<p>Costa, G. P., &amp; Katz, G. (1992). Dinâmica das relações conjugais. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Daquino, M. (2019). <a href="https://amzn.to/3WpB8DZ">A diferença sexual: gênero e psicanálise</a>. Aller.</p>



<p>Eiguer, A. (1985). <a href="https://amzn.to/4d0m077">Um divã para a família: do modelo grupal à terapia familiar psicanalítica</a>. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Ferreira, E. D. S., &amp; Danziato, L. J. B. (2019). A violência psicológica na mulher sob a luz da psicanálise: um estudo de caso. Cadernos de psicanálise (Rio de Janeiro), 41(40), 149-168.</p>



<p>Laplanche, J., &amp; Pontalis, J. B. (2019). <a href="https://amzn.to/3Swdk0h">O vocabulário da psicanálise</a>. Martins Fontes.</p>



<p>Machado, O. (2019). A violência contra as mulheres como crime de ódio.</p>



<p>Nobre, M. T. (2006). Resistências femininas e estratégias de enfrentamento da violência. In A. C. S. Paiva &amp; A. F. C. Vale. Estilísticas da sexualidade (pp. 115-136). Campinas: Pontes Editores</p>



<p>Rosa, M. D., &amp; Domingues, E. (2010). O método na pesquisa psicanalítica de fenômenos sociais e políticos: a utilização da entrevista e da observação. Psicologia &amp; Sociedade, 22, 180-188.</p>



<p>Winnicott, D. W. (1998b). <a href="https://amzn.to/3LLno1x">O ambiente e os processos de maturação</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2000). <a href="https://amzn.to/4d46Qhf">Da pediatria à psicanálise</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2001). <a href="https://amzn.to/4c5sYGI">A família e o desenvolvimento individual</a>.</p>



<p>Zanello, V. (2018). <a href="https://amzn.to/3LLlxKg">Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação.</a> Appris.</p>
<p>O post <a href="https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-2/">A violência contra as mulheres: uma análise sociopsicocultural – parte 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://psicareweb.com.br">Clínica Auriciene Lidório</a>.</p>
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		<title>A violência contra as mulheres: uma análise sociopsicocultural – parte 1</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-1/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2024 01:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A violência contra as mulheres é uma realidade dolorosa e complexa presente em muitas sociedades ao redor do mundo, incluindo a brasileira. Compreender esse fenômeno<a href="https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-1/" class="more-link">View More</a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A violência contra as mulheres é uma realidade dolorosa e complexa presente em muitas sociedades ao redor do mundo, incluindo a brasileira. Compreender esse fenômeno é urgente, pois é algo que não cessa sozinho e as estatísticas de violência contra mulheres são assustadoras.</p>



<p>No seu vídeo, Nailor Marques Junior (no Canal Bistilhoteiro) fala que a violência contra a mulher não é algo que nasce sozinha, mas que é engendrada, arquitetada, planejada e influenciada pelos matizes normativos e constitutivos de nossa maneira de pensar e agir em meio ao nosso caminho familiar, educacional e social. Concordo com isso, e para tentar compreender melhor esse desenvolvimento de pensamento que vai dentro da mente de quem pratica a violência (e de quem a sofre!), precisamos olhar para a construção da violência, onde ela começa e como se desenvolve.</p>



<p>Há algo histórico e social nesse tema, já que em muitas sociedades a mulher é vista como patrimônio pessoal do homem. Um bem, algo que ele pode usar (e abusar!) e descartar quando e como desejar. O “poder” é dele, e ela precisa apenas se submeter ao contexto em que isso acontece, provendo de todas as formas possíveis a satisfação desse homem. Esse entendimento, arraigado em uma estrutura patriarcal, contribui significativamente para a perpetuação da violência. A objetificação das mulheres e o controle sobre seus corpos são aspectos centrais dessa dinâmica, onde o machismo estrutural exerce uma função social de dominação, inferiorizando as mulheres para controlar seus comportamentos e subjugar sua existência. Há um ódio quanto ao feminino, onde os corpos e mentes das mulheres exercem um papel de medo (e é o medo da aniquilação ou da não existência que leva a comportamentos de violência).</p>



<p>As escolhas conjugais são uma história que se repetem. Podemos perguntar: por que mulheres acabam escolhendo cônjuges que as violentam? As histórias de vida das mulheres marcadas pela violência frequentemente estabelecem um padrão de trauma que se repete em suas escolhas conjugais. Ferreira e Danziato (2019) destacam que há um comportamento repetitivo na escolha do parceiro, onde a traição e a negação do sofrimento são comuns. Muitas mulheres permanecem em relações abusivas como uma forma de se significarem enquanto mulheres, acreditando que a violência e o ciúme são provas de amor. Por mais difícil que isso possa parecer, encontro muito disso na Clínica em minha experiência como terapeuta de casais.</p>



<p>Não devemos falar apenas do sintoma: a violência em si, apesar de assumir proporções gigantes, é tratada exaustivamente em várias correntes de pensamento: direito, teologia, filosofia etc. A violência não é apenas um sintoma a ser tratado. A localização da violência como um sintoma individual da mulher é uma visão perigosa, pois pode reforçar a manutenção de uma sociedade patriarcal. Rosa e Domingues (2010) afirmam que o sujeito é produto e produtor da rede simbólica que caracteriza o social e o político. Portanto, é fundamental considerar a estrutura patriarcal e os modos de subjetivação intrincados aos sistemas humanos como cerne do problema.</p>



<p>Ondina Machado (2019) realiza uma investigação psicanalítica sobre a violência contra as mulheres, comparando-a ao racismo como crimes de ódio. Ela descreve a violência contra as mulheres como um &#8220;crime de gozo&#8221;, onde o agressor não suporta que o Outro goze de maneira diversa da sua. Esse tipo de violência revela a radicalidade do ódio contra o feminino, muitas vezes ancorado no machismo estrutural.</p>



<p>“Ah! mas a senhora está misturando tudo” – sim, claro, isso é propositado principalmente porque, para entender o assunto, não podemos tratá-lo de forma isolada, mas como um conjunto bem estruturado que revela a perversão e maldade humana vivida e transmitida ao longo dos séculos nas tentativas de subjugação feminina por parte de quem sempre esteve no poder – “nessa festa de homens”. Há ações, pensamentos, diretivas, entendimentos – tudo isso dentro de nossa cultura humana – que fornecem a compreensão adequada da construção dessa verdadeira teia de violência contra as mulheres – o ponto sempre é mais profundamente enraizado na nossa formação como humanos e não somente um caso isolado.</p>



<p>O trabalho Psicológico é essencial para identificar e trabalhar as particularidades individuais dentro do contexto coletivo, promovendo uma compreensão profunda das experiências únicas de cada paciente. Daquino (2017) enfatiza a necessidade de uma análise cuidadosa das novas manifestações de mal-estar na sociedade, como a violência contra a mulher, o feminicídio e outras formas de discriminação e segregação. Ao focar nas singularidades e respeitar as diferenças, o podemos ajudar a desconstruir preconceitos e fomentar uma cultura de respeito e empatia. Esse é um trabalho penoso e árduo, mas muito necessário.</p>



<p>Continuaremos na parte 2 desse artigo.</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: <a href="https://wa.me/5543988232903">(43) 98823 2903</a><br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>



<p><strong>Referências para consulta</strong></p>



<p>Bourdieu P. (1999). <a href="https://amzn.to/3A2YLuP">A dominação masculina</a>. Bertrand Brasil.</p>



<p>Costa, G. P., &amp; Katz, G. (1992). Dinâmica das relações conjugais. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Daquino, M. (2019). <a href="https://amzn.to/3WpB8DZ">A diferença sexual: gênero e psicanálise</a>. Aller.</p>



<p>Eiguer, A. (1985). <a href="https://amzn.to/4d0m077">Um divã para a família: do modelo grupal à terapia familiar psicanalítica</a>. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Ferreira, E. D. S., &amp; Danziato, L. J. B. (2019). A violência psicológica na mulher sob a luz da psicanálise: um estudo de caso. Cadernos de psicanálise (Rio de Janeiro), 41(40), 149-168.</p>



<p>Laplanche, J., &amp; Pontalis, J. B. (2019). <a href="https://amzn.to/3Swdk0h">O vocabulário da psicanálise</a>. Martins Fontes.</p>



<p>Machado, O. (2019). A violência contra as mulheres como crime de ódio.</p>



<p>Nobre, M. T. (2006). Resistências femininas e estratégias de enfrentamento da violência. In A. C. S. Paiva &amp; A. F. C. Vale. Estilísticas da sexualidade (pp. 115-136). Campinas: Pontes Editores</p>



<p>Rosa, M. D., &amp; Domingues, E. (2010). O método na pesquisa psicanalítica de fenômenos sociais e políticos: a utilização da entrevista e da observação. Psicologia &amp; Sociedade, 22, 180-188.</p>



<p>Winnicott, D. W. (1998b). <a href="https://amzn.to/3LLno1x">O ambiente e os processos de maturação</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2000). <a href="https://amzn.to/4d46Qhf">Da pediatria à psicanálise</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2001). <a href="https://amzn.to/4c5sYGI">A família e o desenvolvimento individual</a>.</p>



<p>Zanello, V. (2018). <a href="https://amzn.to/3LLlxKg">Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação.</a> Appris.</p>
<p>O post <a href="https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-1/">A violência contra as mulheres: uma análise sociopsicocultural – parte 1</a> apareceu primeiro em <a href="https://psicareweb.com.br">Clínica Auriciene Lidório</a>.</p>
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		<item>
		<title>O Abuso Sexual Infantil</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/o-abuso-sexual-infantil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jul 2024 01:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O abuso sexual infantil é uma violação devastadora que ultrapassa os limites físicos e emocionais de uma criança, causando danos profundos e duradouros. eAlém das<a href="https://psicareweb.com.br/o-abuso-sexual-infantil/" class="more-link">View More</a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O abuso sexual infantil é uma violação devastadora que ultrapassa os limites físicos e emocionais de uma criança, causando danos profundos e duradouros. eAlém das consequências óbvias da invasão do corpo da criança e uma dilapidação de suas vontades, as consequências do abuso sexual infantil são devastadoras e podem afetar a vida da vítima de diversas maneiras. Crianças que sofrem esse tipo de abuso frequentemente enfrentam problemas emocionais e psicológicos graves, como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. Por exemplo, uma criança abusada pode ter dificuldade em confiar nos outros, desenvolver comportamentos autodestrutivos e enfrentar problemas de relacionamento na vida adulta. Ela pode sofrer também o impacto no desempenho escolar e no desenvolvimento social bem significativo, muitas vezes resultando em isolamento e dificuldade em alcançar seu pleno potencial.</p>



<p>Destaco três temas importantes: Assédio, Abuso e Violência Sexual.</p>



<p>O assédio envolve comportamentos que causam desconforto ou medo na criança, sem necessariamente envolver contato físico. Pode incluir comentários inadequados, exibição de material pornográfico ou qualquer forma de aproximação sexual não desejada.</p>



<p>O abuso sexual envolve contato físico e atividades sexuais impostas à criança. Este contato pode variar desde carícias até penetração, e é caracterizado pelo uso de coerção, manipulação ou força para satisfazer desejos sexuais do abusador.</p>



<p>O abuso sexual caracteriza-se por qualquer ação de interesse sexual de um ou mais adultos em relação a uma criança ou adolescente, podendo ocorrer tanto no âmbito intrafamiliar – relação entre pessoas que tenham laços afetivos, quanto no âmbito extrafamiliar – relação entre pessoas que não possuem parentesco (Florentino, 2015).</p>



<p>Em nossa cultura, o incesto é uma das formas de abuso sexual mais frequente, sendo este o que geralmente causa consequências – em nível psíquico – extremamente danosas às vítimas (Florentino, 2015).</p>



<p>Já a violência sexual é a forma mais extrema de abuso, envolvendo agressões físicas que causam danos corporais e psíquicos graves à vítima. Este tipo de violência frequentemente resulta em traumas profundos e duradouros.</p>



<p>A violência sexual caracteriza-se: [&#8230;] por um ato ou jogo sexual, em uma relação heterossexual ou homossexual, entre um ou mais adultos e uma criança ou adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança ou adolescente, ou utilizá-la para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa (AZEVEDO; GUERRA, 1998, p.33). Destaca-se que a violência sexual pode ser compreendida a partir de duas especificidades/peculiaridades: exploração sexual e abuso sexual (Florentino, 2015).</p>



<p>É muito necessário falarmos do excesso, a sexualidade em excesso. Na psicanálise, o conceito de excesso em sexualidade refere-se à hiper estimulação e à exposição precoce da criança a conteúdo ou comportamento sexual inadequado para sua idade. Este excesso pode provocar confusão, ansiedade e dificuldades no desenvolvimento saudável da sexualidade.</p>



<p>O artigo &#8220;<a href="https://doi.org/10.1590/1984-0292/805"><em>As possíveis consequências do abuso sexual praticado contra crianças e adolescentes</em></a>&#8221; (Florentino, 2015) destaca as graves repercussões do abuso sexual na vida das vítimas. A literatura aponta para um aumento significativo de riscos de psicopatologias graves, incluindo transtornos de ansiedade, depressão, comportamento autodestrutivo e dificuldades no estabelecimento de relações interpessoais saudáveis.</p>



<p>Florentino (2015) destaca que a violência doméstica, segundo Adorno (1988), é uma forma de relação social que está diretamente relacionada ao modo pelo qual os homens produzem e reproduzem suas condições sociais de existência. Ao mesmo tempo, ela é a negação de valores considerados universais, como liberdade, igualdade e a própria vida. Neste processo, a criança e o adolescente são as maiores vítimas de atos abusivos e maus-tratos, ocasionados por sua maior vulnerabilidade e dependência.</p>



<p>Os estudos mostram que as crianças abusadas sexualmente tendem a apresentar sintomas como isolamento social, baixa autoestima, comportamentos agressivos ou retraídos e problemas de aprendizagem. A violação dos limites psíquicos e corporais interfere no desenvolvimento emocional, resultando em uma série de distúrbios psicológicos que podem persistir na vida adulta.</p>



<p>O que se observa na literatura existente é a concordância entre os especialistas em reconhecer que a criança vítima de abuso e de violência sexual corre o risco de uma psicopatologia grave, que perturba sua evolução psicológica, afetiva e sexual (Romaro; Capitão, 2007, p. 144, citado por Florentino, 2015).</p>



<p>Além dos traumas psicológicos, o abuso sexual pode causar danos físicos imediatos e a longo prazo, como lesões genitais, doenças sexualmente transmissíveis e problemas reprodutivos. A exposição a situações de violência extrema pode também levar a problemas somáticos, como dores crônicas e distúrbios psicossomáticos.</p>



<p>Dalgalarrondo (2000) indica que alguns estudos apresentam resultados que confirmam existir uma forte relação entre ter sofrido abuso na infância e transtornos de conduta na adolescência e na vida adulta. Alguns transtornos são classificados como transtorno de identidade de gênero. Há também os transtornos de preferência sexual, que incluem as parafilias como fetichismo (dependência de alguns objetos inanimados com estímulo para a excitação e satisfação sexual); voyerismo (excitação sexual em olhar pessoas envolvidas em comportamentos sexuais ou íntimos); sadomasoquismo (preferência por atividade sexual que envolve servidão ou a influição de dor ou humilhação); pedofilia (preferência sexual por crianças púberes); e outras, conforme descritas na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento – CID – 10 (Organização Mundial de Saúde) (citado por Florentino, 2015).</p>



<p>A prevenção do abuso sexual infantil deve ser uma prioridade absoluta na sociedade. É condição de sobrevivência que as comunidades, escolas e famílias estejam bem-informadas e preparadas para identificar sinais de abuso e agir rapidamente para proteger as crianças. Campanhas educativas e treinamentos especializados para pais, professores e profissionais de saúde são essenciais para criar um ambiente de vigilância e suporte.</p>



<p>O acolhimento das vítimas deve ser feito com sensibilidade e empatia. É fundamental que as crianças abusadas recebam apoio psicológico adequado e contínuo, para que possam superar os traumas e desenvolver-se de maneira saudável. Serviços de assistência social, linhas de apoio e centros de atendimento especializados precisam estar disponíveis e acessíveis a todas as vítimas e suas famílias.</p>



<p>Não podemos tolerar a violação dos direitos das crianças. Cada caso de abuso sexual infantil é uma tragédia que demanda uma resposta firme. É nossa responsabilidade coletiva assegurar que todas as crianças cresçam em ambientes seguros, onde possam se desenvolver plenamente sem medo ou ameaça.</p>



<p>Recomendo fortemente a leitura de três livros. Clique no link para comprá-los.</p>



<p><a href="https://amzn.to/4cxcOXV">Abuso Sexual em Família: a Violência do Incesto à luz da Psicanálise</a></p>



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<p><a href="https://amzn.to/3S4ncOt">Em Carne Viva: Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes</a></p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O último refúgio: entendendo a crise suicida (parte 1)</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/o-ultimo-refugio-entendendo-a-crise-suicida-parte-1/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2024 01:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://psicareweb.com.br/?p=2907</guid>

					<description><![CDATA[<p>Suicídio é deserção? Penso que, o conceito de suicídio não deve ser entendido apenas como o ato em si, mas como uma crise que se<a href="https://psicareweb.com.br/o-ultimo-refugio-entendendo-a-crise-suicida-parte-1/" class="more-link">View More</a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Suicídio é deserção?</p>



<p>Penso que, o conceito de suicídio não deve ser entendido apenas como o ato em si, mas como uma crise que se instala na pessoa, afetando profundamente sua família e a sociedade. Uma crise suicida é um estado emocional e psicológico que transcende o simples desejo de morrer. É um desejo de desaparecer, um sentimento de que a vida se tornou insuportável, sem qualquer esperança de alívio. Este estado não é uma mera desvalorização de si, nem uma deserção. É uma luta interna onde a morte parece ser a única saída, mesmo que sua verdadeira natureza seja desconhecida.</p>



<p><strong>A profundidade da depressão e a crise suicida</strong></p>



<p>A depressão que leva ao suicídio é uma crise profunda e complexa. Não é uma decisão simples, mas um processo de desistência de si mesmo, como se a pessoa quisesse livrar o mundo do peso que ela representa. Este desejo de desaparecer é alimentado por uma despersonalização causada por múltiplos fatores: dificuldades com a vida, abuso de drogas, transtornos, traumas e relações. Cada um desses elementos contribui para a deterioração do sentido de identidade e do valor próprio. Mas para compreender melhor isso, precisamos mensurar melhor a influência hormonal na depressão, sendo importante considerar o papel dos hormônios na nesse quadro de sofrimento. Desequilíbrios hormonais podem intensificar os sentimentos de desesperança e desespero, exacerbando a crise suicida. A complexidade da depressão inclui fatores biológicos que precisam ser reconhecidos e tratados&nbsp;adequadamente.</p>



<p><strong>A crise de si mesmo e a angústia impensável</strong></p>



<p>O que falta em nossa abordagem é o desenvolvimento de inteligências, especialmente a cultural, que ajude as pessoas em crise. A depressão contemporânea é uma crise de si mesmo, uma desintegração da identidade que leva ao desejo de autoextermínio. Como Winnicott observou, essas são angústias impensáveis, tão intensas que a pessoa não consegue suportá-las. A morte, então, se apresenta como o único alívio possível.</p>



<p>A angústia é um estado de ser que vai além do sofrimento físico ou emocional. É uma sensação de vazio existencial. Essa angústia é a sensação real da perda de um profundo sentimento de confiança interna, uma progressão contínua sem rupturas – a pessoa em crise de si mesmo enxerga a ruptura e não a possibilidade de integração.</p>



<p>Na perspectiva psicanalítica, a angústia está enraizada nas experiências iniciais de vida, especialmente no relacionamento com a figura materna.</p>



<p>Este é um aspecto fundamental da crise suicida que é o desejo de voltar ao útero materno. Este sentimento representa um anseio por proteção e segurança, um desejo de escapar da dor insuportável e encontrar refúgio no lugar onde a vida começou. É uma tentativa de regressão a um estado pré-natal, onde as angústias da vida adulta não existem.</p>



<p>A pessoa que se suicida sente uma necessidade urgente de restaurar o sentimento de confiabilidade que perdeu em si mesma. Elas duvidam de sua capacidade de continuar resolvendo, gerenciando e mantendo suas próprias vidas em um estado contínuo, por isso, anseiam pelo retorno ao útero. Esse desejo reflete um desespero profundo por voltar a um estado anterior, onde a maternidade providenciava todas as estruturas e as decisões não dependiam delas. É por isso que a sociedade e a família precisam trabalhar juntas para criar um estado de amparo, em vez de desamparo, que foi aprendido ao longo da vida. Somente assim podemos evitar que uma crise tão profunda inviabilize a continuidade da vida.</p>



<p>Jean-Paul Sartre, um dos principais expoentes do existencialismo, abordou a angústia como um aspecto central da condição humana. Em sua obra &#8220;O Ser e o Nada&#8221;, Sartre descreve a angústia como a realização da liberdade e da responsabilidade absoluta que o ser humano possui sobre suas próprias escolhas. Ele sugere que essa percepção de liberdade pode ser paralisante, levando a um estado de angústia profunda.</p>



<p>Martin Heidegger, outro filósofo existencialista, também examinou a angústia em sua obra &#8220;Ser e Tempo&#8221;. Heidegger argumenta que a angústia revela a verdade sobre a existência humana. Para ele, a angústia surge da confrontação com o nada e a finitude da própria existência, forçando o indivíduo a confrontar a própria mortalidade e a falta de um sentido intrínseco na vida.</p>



<p>Como sociedade, precisamos fortalecer nossos laços para que as pessoas em crise não se sintam desencontradas de si mesmas. O suicídio não é apenas um alívio para a pessoa, mas um ato violento com repercussões profundas para a família e a sociedade. Aqueles que ficam tentam sobreviver a essa violência, lidando com a dor e o impacto emocional que o suicídio causa.</p>



<p>O suicídio é muitas vezes a culminação de uma depressão não tratada ou não aceita pela família. A depressão é um evento familiar, que pode começar em um membro e contaminar os outros, ou se originar nos pais e afetar os filhos. O preconceito no tratamento da depressão intensifica o sofrimento individual. As questões familiares devem ser abordadas com cuidado e amor, reconhecendo que os estados depressivos podem ser mitigados por vínculos amorosos e compreensão, além da medicalização.</p>



<p>Aceitar que os estados depressivos podem ser cuidados com vínculos amorosos e uma compreensão mais profunda é superimportante. A abordagem não deve ser apenas medicamentosa ou de isolamento, mas uma integração de apoio emocional e aceitação familiar. Assim, podemos criar um ambiente onde as crises suicidas sejam prevenidas e tratadas com a seriedade e o compromisso que merecem.</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</p>
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		<title>Descubra como voltar no tempo e transformar sua vida</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/descubra-como-voltar-no-tempo-e-transformar-sua-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 01:47:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De acordo com a psicanálise, o passado, presente e futuro coexistem em nosso inconsciente. Quando sentimos o desejo de &#8220;voltar no tempo&#8221;, essa é uma<a href="https://psicareweb.com.br/descubra-como-voltar-no-tempo-e-transformar-sua-vida/" class="more-link">View More</a></p>
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<p>De acordo com a psicanálise, o passado, presente e futuro coexistem em nosso inconsciente. Quando sentimos o desejo de &#8220;voltar no tempo&#8221;, essa é uma mensagem do nosso inconsciente, sinalizando a existência de uma lacuna em nossa existência. Essa lacuna pode evoluir para uma formação de compromisso, ou seja, um sintoma. Mas de que é sintoma? Sintoma de uma vida &#8220;mal vivida&#8221;. Como todo adoecimento, esse é um aviso de que continuar &#8220;mal vivendo&#8221; pode nos levar não apenas à morte natural, mas a uma morte carregada de lacunas e arrependimentos, uma vida marcada por uma menor pulsão de vida e uma maior pulsão de morte. Isso resulta em uma existência infeliz, mal compreendida e mal resolvida.</p>



<p>Embora possa parecer impossível voltar ao passado, nossa mente é tão poderosa que nos permite revisitar esses momentos e preencher as lacunas que ficaram. O inconsciente nos aponta que toda correção e reorientação do passado deve ser vivida no presente. A dor de revisitar o passado, frequentemente manifestada como culpa ou arrependimento, é na verdade a dor de uma vida mal vivida, uma lacuna que precisa ser preenchida agora.</p>



<p>Nosso cérebro possui um fator chamado sincronia. Quando sincronizamos nossa mente no presente, sincronizamos também o passado e o futuro. Por exemplo, se hoje nos tornamos a pessoa que gostaríamos de ter sido no passado – uma figura de apoio que nos faltou na infância ou adolescência – estamos preenchendo essa lacuna. Se faltou um subsídio, um estudo, ou se tomamos decisões erradas, todas essas experiências podem ser reorientadas. Mesmo que não possamos mudar as ações do passado, podemos preencher a carga de vida do presente, nos dando a oportunidade de reorientar nosso presente, o que imediatamente abre portas para ressincronizar e refazer as cargas de vida do passado.</p>



<p>Para realinhar nossa vida, precisamos identificar as cargas de vida que faltaram no passado e preenchê-las no presente. Se no passado éramos imaturos e hoje nos arrependemos disso, precisamos cultivar a maturidade e a inteligência emocional agora. Se não fizemos um curso ou deixamos de cuidar do corpo, podemos nos envolver com as artes ou iniciar uma rotina de exercícios no presente. Essa prática reorienta nossa mente, preenchendo as lacunas do passado e nos permitindo viver de forma mais saudável e realizada.</p>



<p>O presente é poderoso porque é o único momento em que podemos agir. Nossa mente tem a capacidade de reorientar o passado e o futuro ao preencher o presente com vida, oportunidades, criatividade e desenvolvimento. Ao viver plenamente no presente, nos libertamos da culpa, do remorso e das doenças do passado, criando oportunidades de crescimento e realização.</p>



<p>Ao preencher as lacunas do passado com ações no presente, podemos reorientar nossa vida, sincronizando passado, presente e futuro. Este processo nos permite alcançar uma vida mais plena e satisfatória, transformando uma vida &#8220;mal vivida&#8221; em uma vida bem vivida. Assim, podemos encarar o fim de nossa existência com a satisfação de termos vivido plenamente e poderemos chegar naquele dia fatídico para qualquer ser humano, onde tudo será passado e olharmos para trás satisfeitos porque tivemos uma vida bem vivida.</p>



<p>Você sente vontade de voltar ao passado para consertar alguma coisa da sua vida?</p>



<p>Quer aprender a reorientar seu presente para preencher as lacunas do passado e ter um futuro bem vivido?</p>



<p>Vamos conversar sobre isso?</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</p>
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		<title>Sentimento de inadequação em estudantes universitários: a importância das intervenções precoces</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/sentimento-de-inadequacao-em-estudantes-universitarios-a-importancia-das-intervencoes-precoces/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Jun 2024 01:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O sentimento de inadequação é comum entre estudantes universitários, especialmente em ambientes altamente competitivos. Esse sentimento surge quando os estudantes se deparam com expectativas acadêmicas<a href="https://psicareweb.com.br/sentimento-de-inadequacao-em-estudantes-universitarios-a-importancia-das-intervencoes-precoces/" class="more-link">View More</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O sentimento de inadequação é comum entre estudantes universitários, especialmente em ambientes altamente competitivos. Esse sentimento surge quando os estudantes se deparam com expectativas acadêmicas elevadas, constante comparação com colegas e pressão para alcançar desempenho excepcional. A sensação de não estar à altura dessas expectativas pode levar a dificuldades emocionais e psicológicas, prejudicando tanto o bem-estar acadêmico quanto pessoal.</p>



<p>Em ambientes escolares competitivos, a ênfase está nos resultados e no desempenho. Os estudantes sentem a pressão de manter um alto nível de excelência, o que pode gerar ansiedade, estresse e uma sensação constante de inadequação. Essa competitividade pode minar a autoconfiança e a autoestima, levando os estudantes a questionarem suas capacidades e a temerem o fracasso.</p>



<p>As intervenções precoces são essenciais para tratar os problemas que podem surgir do sentimento de inadequação. Essas sessões focam na identificação e tratamento das dificuldades emocionais e comportamentais antes que se tornem problemas graves.</p>



<p>As intervenções precoces permitem identificar problemas logo no início, evitando que causem danos significativos ao bem-estar do estudante. Isso inclui a detecção de sintomas de ansiedade e depressão. Com o suporte adequado, os estudantes podem desenvolver estratégias eficazes para lidar com a pressão acadêmica e as expectativas competitivas. Isso pode incluir técnicas de gerenciamento de estresse e fortalecimento da resiliência emocional.</p>



<p>Estudantes que se sentem apoiados e compreendidos tendem a apresentar melhor desempenho acadêmico e a manter uma saúde mental mais robusta. Além disso, tratar as dificuldades de adaptação no início pode prevenir o desenvolvimento de problemas mais graves no futuro, como transtornos de ansiedade crônica ou depressão profunda.</p>



<p>Um exemplo importante do sentimento de inadequação entre estudantes universitários é a questão religiosa. Há um dito amplamente difundido de que a universidade, por ser um ambiente secularizado, acaba com a crença dos alunos. Esse sentimento de inadequação pode ser intensificado quando os estudantes sentem que suas crenças religiosas são desvalorizadas ou ignoradas. A sensação de que a crença está em conflito com o ambiente acadêmico pode gerar um profundo mal-estar e crise de identidade.</p>



<p>Muitos jovens chegam à universidade com pouco preparo familiar e social. A preparação geralmente foca apenas no vestibular e no desempenho acadêmico, negligenciando o desenvolvimento pessoal e emocional. Essa falta de preparação deixa os estudantes despreparados para os desafios que encontrarão na universidade, incluindo a convivência com diferentes visões de mundo e a necessidade de autogerenciamento. Isso pode resultar em um sentimento de inadequação ainda mais profundo.</p>



<p>A falta de um ambiente familiar e social que forneça suporte emocional e fortaleça a identidade dos jovens contribui significativamente para o sentimento de inadequação. Quando os estudantes não se sentem seguros e aceitos em suas crenças e valores, a transição para a universidade pode ser especialmente difícil. A criação de um &#8220;ambiente suficientemente bom&#8221; é essencial para que os jovens desenvolvam a capacidade de enfrentar desafios e se adaptem a novos contextos sem perder o senso de si mesmos.</p>



<p>Para combater o sentimento de inadequação, é fundamental que as famílias e as instituições de ensino promovam um ambiente de suporte e aceitação. Os jovens precisam sentir que suas crenças e identidades são respeitadas e valorizadas. Intervenções precoces que focam no fortalecimento da autoestima e na construção de uma identidade sólida podem ajudar os estudantes a navegar pela universidade com confiança, enfrentando os desafios de forma saudável e equilibrada.</p>



<p>Alguns questionamentos para que você, querido leitor, faça a si ou aos seus filhos que estão nesse período tão importante quanto é a formação universitária.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Você já se sentiu inadequado em um ambiente acadêmico competitivo?</li>



<li>Como seus valores pessoais e familiares foram tratadas na universidade? Você se sentiu apoiado ou desvalorizado?</li>



<li>Quão preparado você se sentiu ao entrar na universidade? Sua preparação incluiu aspectos emocionais e de desenvolvimento pessoal?</li>



<li>Seu ambiente familiar e social fornece suporte emocional e valoriza sua identidade?</li>



<li>Você acredita que intervenções precoces poderiam ter ajudado a lidar com sentimentos de inadequação e a pressão acadêmica? Como?</li>
</ul>



<p>Depois de analisar a si mesmo, seu ambiente familiar e seus filhos e filhas, é importante ponderar se o ambiente que vocês desenvolvem como família está sendo suficiente para preparar esses jovens para o contexto universitário ou se está apenas focando em resultados com o vestibular. Muitas vezes, a preparação para o vestibular é vista como a principal meta, e todo o esforço é direcionado para alcançar essa conquista. No entanto, essa abordagem pode negligenciar aspectos essenciais do desenvolvimento pessoal e emocional dos jovens.</p>



<p>Conte comigo se precisar de auxílio nessa questão. Meus contatos estão embaixo, sinta-se à vontade para agendar um atendimento.</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</p>
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		<title>Empatia, resiliência e autocuidado: rompendo o silêncio do estigma na saúde mental</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/empatia-resiliencia-e-autocuidado-rompendo-o-silencio-do-estigma-na-saude-mental-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 May 2024 01:35:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Parte 2 Terminei o outro artigo falando que existem três importantes ferramentas que podem nos ajudar a treinar nossa mente e coração para agirmos de<a href="https://psicareweb.com.br/empatia-resiliencia-e-autocuidado-rompendo-o-silencio-do-estigma-na-saude-mental-2/" class="more-link">View More</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Parte 2</p>



<p>Terminei o outro artigo falando que existem três importantes ferramentas que podem nos ajudar a treinar nossa mente e coração para agirmos de maneira efetiva e auxiliar pessoas que passam por dificuldades e principalmente nos ajudar também quando nós mesmos somos vítimas de nossos próprios estigmas. Vamos ver quais são?</p>



<p>A primeira ferramenta é a EMPATIA.</p>



<p>Ela é poderosa na luta contra o estigma em saúde mental e nos permite entender e compartilhar os sentimentos dos outros, promovendo uma cultura de aceitação e apoio. Para cultivar a empatia, é preciso avaliar nosso nível atual e identificar áreas de melhoria. Fazer perguntas para nós mesmos pode ser útil para medir nosso grau de empatia e descobrir onde podemos melhorar.</p>



<p>Faça a si mesmo estas perguntas, de maneira bem sincera:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Estou escutando ativamente quando alguém compartilha suas dificuldades emocionais comigo?</li>



<li>Evito fazer julgamentos rápidos e realmente tento compreender a perspectiva do outro?</li>



<li>Estou oferecendo apoio de maneira consistente e sincera?</li>



<li>Dou atenção plena às pessoas quando elas falam comigo, sem me distrair com outras coisas?</li>



<li>Consigo reconhecer e validar os sentimentos dos outros, mesmo quando não concordo com eles?</li>



<li>Procuro entender as experiências e desafios únicos de cada pessoa, sem assumir que sei o que elas estão passando?</li>



<li>Estou disposto a ajudar alguém em necessidade, mesmo que isso demande tempo e esforço?</li>



<li>Como reajo quando alguém expressa emoções fortes ou difíceis? Sou acolhedor e compreensivo?</li>



<li>Faço um esforço consciente para aprender mais sobre saúde mental e os desafios que as pessoas enfrentam?</li>



<li>Estou contribuindo para criar um ambiente de aceitação e apoio ao meu redor, tanto em casa quanto no trabalho?</li>
</ul>



<p>Como foram suas respostas sinceras?</p>



<p>Ao refletir sobre essas perguntas, podemos identificar áreas onde ajustes práticos são necessários. Praticar a escuta ativa é um passo fundamental: dedique toda a sua atenção à pessoa que está falando, evite interrupções e faça perguntas que mostrem um interesse genuíno. Para aumentar a conscientização sobre saúde mental, participe de palestras, leia livros e artigos, e compartilhe informações precisas sobre o tema. Demonstrar compaixão nas ações diárias, através de pequenos gestos de gentileza e compreensão, também pode ter um impacto significativo na vida de alguém que está enfrentando problemas de saúde mental.</p>



<p>A segunda ferramenta disponível para nós chama-se RESILIÊNCIA.</p>



<p>Em tempos de tragédia, torna-se essencial desenvolver uma habilidade valiosa: a resiliência. A resiliência é a capacidade de se adaptar e superar adversidades, uma competência necessária para manter nossa saúde mental e bem-estar. O espírito brasileiro, conhecido pela sua resiliência, alegria e solidariedade, especialmente em momentos difíceis, serve como um exemplo. Fortalecer os laços comunitários, participando de atividades locais, ajudando vizinhos e engajando-se em grupos de apoio, pode reforçar nossa rede de suporte. Praticar o otimismo realista, reconhecendo os desafios, mas mantendo a esperança e procurando soluções práticas, além de celebrar pequenas vitórias, ajuda a melhorar nosso ânimo e a nos manter motivados.</p>



<p>A terceira ferramenta é o AUTOCUIDADO.</p>



<p>Não podemos cuidar de tudo, mas temos a capacidade de fazer muito pelas pessoas que necessitam. Inicialmente, é importante lembrar que, sem o autocuidado, não conseguiremos ajudar de forma eficaz. Cuidar de nossa saúde física e mental através de atividades físicas regulares, alimentação equilibrada e técnicas de relaxamento, como a meditação, fortalece nosso corpo e mente. Manter tradições culturais, valorizando e participando de festividades brasileiras, traz um senso de normalidade e alegria, mesmo em tempos difíceis. Tudo na vida exige uma via de mão dupla nesse sentido, pois, quando nos propomos a cuidar de alguém é preciso sempre ter em mente que sem o autocuidado não conseguimos nos entregar à tarefa.</p>



<p>Combater o estigma em saúde mental exige uma combinação de empatia, resiliência e autocuidado. Ao avaliar e ajustar nossa capacidade de empatia e cultivar o espírito resiliente, podemos criar uma sociedade mais acolhedora e solidária para todos. Lembre-se, a mudança começa em nós mesmos e em nossas atitudes diárias. Juntos, podemos transformar adversidades em oportunidades de crescimento e fortalecimento comunitário.</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 9882 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</p>
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