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	<title>Clínica Auriciene Lidório</title>
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	<description>Atendimentos Individuais, Casais e Famílias</description>
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	<title>Clínica Auriciene Lidório</title>
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	<item>
		<title>O que o apego aos nossos pets revela sobre nós?</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/o-que-o-apego-aos-nossos-pets-revela-sobre-nos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2024 22:57:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Publicações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O vínculo entre humanos e animais de estimação é um fenômeno amplamente observado e estudado. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O vínculo entre humanos e animais de estimação é um fenômeno amplamente observado e estudado. A relação que desenvolvemos com nossos pets vai além da simples companhia; é um reflexo de necessidades emocionais profundas e complexas que buscamos satisfazer em nosso cotidiano.</p>



<p>Diante de um mundo caótico, estressante e muito conturbado, uma das razões primárias para esse apego é a necessidade de um amor controlado. Precisamos de alguma sensação de controle em um mundo repleto de incertezas e descontrole, por isso, a previsibilidade e constância que um <em>pet</em> proporciona são reconfortantes. Eles nos oferecem uma fonte constante de amor e carinho sem as complexidades e conflitos inerentes às relações humanas. Esse tipo de amor é seguro, sem grandes riscos emocionais, e isso nos atrai profundamente.</p>



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<p>Proporcionam a nós prazer sem se opor a nós, o que é bem diferente das relações humanas, onde o conflito e a discordância são inevitáveis; os animais de estimação estão sempre prontos a nos acolher de forma incondicional. Eles não nos julgam, não exigem que sejamos algo além do que somos, e essa aceitação é um bálsamo para nossas inseguranças e ansiedades.</p>



<p>Os <em>pets</em> estão sempre disponíveis para amar e serem amados, mesmo em meio a uma rotina atribulada, onde o tempo para cuidar de nossas próprias emoções e das emoções alheias é escasso, eles, os animais de estimação, se apresentam como uma constante fonte de afeto. São uma presença sempre disposta a nos confortar, sem esperar nada em troca além de cuidados básicos, carinho e atenção.</p>



<p>Outro fator relevante é o descontrole social que existe do lado de fora de nossas casas, nos fazendo querer ficar mais fechados em nós mesmos. A sociedade contemporânea está marcada por incertezas, instabilidades e conflitos. O ambiente externo muitas vezes nos parece ameaçador e desgastante, enquanto a convivência com nossos <em>pets</em> nos oferece um refúgio seguro e acolhedor. A presença deles em nosso lar nos ajuda a criar um ambiente de tranquilidade e segurança emocional.</p>



<p>Os <em>pets</em> são trazidos para o nosso convívio para suprir nossas faltas internas. Em um mundo onde as conexões humanas podem ser superficiais e fragmentadas, os animais de estimação preenchem lacunas emocionais, oferecendo uma relação pura e descomplicada. Eles nos ajudam a lidar com sentimentos de solidão, proporcionando uma companhia constante e amorosa que nos faz sentir completos e emocionalmente nutridos.</p>



<p>No entanto, essa busca por controle e segurança emocional contrasta marcadamente com nossa reação diante das pessoas que são necessitadas, pobres, desvalidos, abandonados e excluídos, muitos desses são moradores de rua. Diferente de nossos <em>pets</em>, os moradores de rua estão fora de nosso controle. A presença deles nas ruas nos confronta com a dura realidade do desamparo e da vulnerabilidade humana, aspectos que preferimos evitar em nossa busca por estabilidade e segurança emocional.</p>



<p>Não queremos nos importar com essas pessoas porque temos uma formação reativa, baseada no medo e nas coisas que não queremos lidar conosco mesmos – <strong>a falta de controle da vida</strong>. Encarar a realidade dos moradores de rua nos força a reconhecer a fragilidade de nossa própria existência e a possibilidade de que, em algum momento, nossas vidas também possam sair de controle. <strong>Esse confronto com o potencial caos e desamparo é algo que muitos de nós preferimos evitar</strong>.</p>



<p>Nosso apego aos <em>pets</em>, portanto, também pode ser visto como uma tentativa de manter essa dissonância cognitiva à distância. Ao focar nosso amor e cuidado em seres que podemos controlar e que nos proporcionam um refúgio emocional seguro, evitamos lidar com as realidades incômodas e assustadoras que os moradores de rua representam. Ao invés de enfrentar a dura verdade de que a vida pode, de fato, perder o controle, nos refugiamos em relacionamentos que nos garantem uma sensação de domínio e previsibilidade.</p>



<p>Gosto sempre de falar que a nossa profunda ligação com os <em>pets</em> é multifacetada, envolvendo necessidades de amor controlado, prazer sem oposição, disponibilidade emocional, e a busca por um refúgio seguro em um mundo muitas vezes caótico. Eles desempenham um papel crucial em nossas vidas, ajudando-nos a enfrentar nossas vulnerabilidades e a encontrar conforto e segurança no afeto incondicional que oferecem. Ao mesmo tempo, essa ligação destaca nossa dificuldade em lidar com a fragilidade humana e o desamparo representados pelos moradores de rua, evidenciando a complexidade de nossas necessidades emocionais e defesas psicológicas.</p>



<p>Como sempre, quero terminar fazendo perguntas:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Como a necessidade de controle influencia nosso apego aos pets e reflete nossa dificuldade com relações humanas imprevisíveis?</li>



<li>Como o amor incondicional dos pets mascara nossas vulnerabilidades e inseguranças?</li>



<li>Por que os moradores de rua nos causam desconforto enquanto buscamos conforto nos pets? O que isso revela sobre nossas defesas psicológicas?</li>



<li>Até que ponto nossos pets substituem necessidades emocionais insatisfeitas nas relações humanas e afetam nossa empatia e solidariedade?</li>



<li>Como equilibrar o conforto emocional dos pets com a necessidade de enfrentar os desafios emocionais e sociais dos moradores de rua?</li>
</ul>



<p>Depois de construir uma base amorosa e segura com nossos pets, podemos nos abrir para ter nossas energias mais plenas. A segurança emocional proporcionada por eles nos dá a coragem para nos relacionarmos melhor com os outros. Com um coração equilibrado, devemos usar nossa criatividade para enfrentar desafios sociais. Os pets nos mostram o poder do amor incondicional, e esse aprendizado deve ser levado adiante. Precisamos ajudar os que sofrem, usando a estabilidade emocional conquistada como plataforma para ações altruístas, enriquecendo nossas vidas e criando um ambiente mais acolhedor e solidário, onde menos pessoas enfrentem o abandono.</p>



<p></p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Como ter uma vida transformada em um mundo como o de hoje?</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/como-ter-uma-vida-transformada-em-um-mundo-como-o-de-hoje/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2024 22:37:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Publicações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A psicologia pode desempenhar um papel crucial na transformação da vida e no crescimento pessoal. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A psicologia pode desempenhar um papel crucial na transformação da vida e no crescimento pessoal. Especialmente sob a ótica de Donald Winnicott, que oferece uma abordagem profunda e humanística que pode ajudar indivíduos a entenderem a si mesmos de maneira mais autêntica e a encontrarem caminhos para o amadurecimento emocional.</p>



<p>Ele mostrou a sua teoria do Ambiente Facilitador, usando o termo &#8220;ambiente suficientemente bom&#8221;, que se refere às condições ideais que permitem ao indivíduo crescer emocionalmente saudável. Esse ambiente é caracterizado por um cuidado constante e responsivo, geralmente fornecido pela mãe ou cuidador principal. A importância das primeiras relações, especialmente a relação mãe-bebê, é fundamental no desenvolvimento emocional saudável. Quando o ambiente é suficientemente bom, ele permite que o bebê desenvolva confiança básica e segurança, estabelecendo a base para um desenvolvimento emocional robusto.</p>



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<p>No entanto, nem todos têm a sorte de crescer em um &#8220;ambiente suficientemente bom&#8221;. Winnicott também explorou as consequências de um &#8220;ambiente não suficientemente bom&#8221;. Esse conceito refere-se a um ambiente onde os cuidados são inconsistentes, inadequados ou excessivamente invasivos.</p>



<p>Em um ambiente não suficientemente bom, as necessidades emocionais do bebê não são atendidas de maneira confiável. A mãe ou o cuidador principal pode ser negligente, incapaz de fornecer o suporte necessário, ou pode ser dominador e controlar excessivamente o desenvolvimento da criança. Como resultado, a criança não desenvolve a confiança básica e a segurança necessárias para um desenvolvimento emocional saudável. Em vez disso, ela pode se sentir ansiosa, insegura e incapaz de confiar no mundo ao seu redor.</p>



<p>O impacto de um ambiente não suficientemente bom pode ser profundo e duradouro. Crianças que crescem nessas condições muitas vezes desenvolvem um falso self para se protegerem das inadequações do ambiente. Esse falso self pode ajudar a criança a sobreviver, mas impede o desenvolvimento do verdadeiro self, resultando em um adulto que pode parecer funcional na superfície, mas que, por dentro, se sente vazio, perdido e desconectado de suas necessidades e desejos autênticos.</p>



<p>Você já se sentiu ansioso? Inseguro? Incapaz de confiar no mundo ao seu redor?</p>



<p>Para aqueles que cresceram em um ambiente não suficientemente bom, o caminho para a maturidade emocional pode ser desafiador, mas é possível.</p>



<p>É preciso o reconhecimento das falhas do ambiente em que se foi formado.</p>



<p>A primeira etapa para obter maturidade é reconhecer e aceitar que o ambiente de criação não foi suficientemente bom. Isso permite que o indivíduo compreenda as raízes de suas dificuldades emocionais e de identidade.</p>



<p>Em segundo lugar, precisa-se de um envolvimento em um processo terapêutico com um analista qualificado que seja capaz de proporcionar um ambiente de holding, que é a capacidade do terapeuta de proporcionar um espaço seguro e acolhedor, onde o paciente pode explorar suas emoções reprimidas e experiências dolorosas de maneira protegida, promovendo o crescimento emocional e a cura. Este ambiente seguro é essencial para o amadurecimento emocional.</p>



<p>Vou te fazer algumas perguntas para que responda a si mesmo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Você sente que está vivendo de acordo com suas próprias necessidades e desejos ou sente que está sempre se adaptando às expectativas dos outros?</li>



<li>Já se perguntou como as suas primeiras experiências e relações influenciam seu comportamento e saúde mental hoje?</li>



<li>Você tem dificuldade em aceitar suas próprias vulnerabilidades e imperfeições?</li>



<li>Sente que, por dentro, há partes de você que permanecem reprimidas ou não integradas?</li>



<li>Você se sente emocionalmente seguro para explorar suas emoções mais profundas e vulneráveis?</li>



<li>Já considerou como seria viver de maneira mais autêntica e plena?</li>



<li>Você sente que suas relações são baseadas na sinceridade e empatia?</li>



<li>Você acredita que seu ambiente de criação foi suficientemente bom? Como isso impacta sua vida atual?</li>
</ul>



<p></p>



<p>Se ao refletir sobre estas perguntas você percebeu a necessidade de explorar mais profundamente suas emoções, experiências e relacionamentos, considere buscar ajuda em terapia. A psicanálise, especialmente através das teorias de Donald Winnicott, pode oferecer um espaço seguro e acolhedor para você se reconectar com seu verdadeiro eu, integrar emoções reprimidas e desenvolver uma vida mais autêntica e satisfatória. Procurar terapia é um passo corajoso e transformador, que pode abrir caminhos para um crescimento pessoal profundo e duradouro. Não hesite em dar esse passo em direção a uma vida emocionalmente mais saudável e plena.</p>



<p><strong>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 9882 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</strong></p>
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		<item>
		<title>Fugindo da Exaustão Emocional: Buscando Relações Autênticas</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/fugindo-da-exaustao-emocional-buscando-relacoes-autenticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Sep 2024 22:46:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Publicações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ambiente em que crescemos influencia a capacidade de nos relacionarmos de forma verdadeira com o mundo e com os outros.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O ambiente em que crescemos influencia a capacidade de nos relacionarmos de forma verdadeira com o mundo e com os outros. Quando somos pequenos, o lar deve ser um lugar &#8220;suficientemente bom&#8221;, onde é possível nos sentirmos seguros e apoiados. Esse ambiente cria um espaço onde podemos crescer, desenvolver habilidades e encontrar recursos internos para lidar com a vida. Isto está explícito na teoria de Donald Winnicott.</p>



<p><strong>Espaço potencial</strong> é um conceito que explica como <strong>um ambiente seguro e acolhedor durante a infância permite que desenvolvamos nosso verdadeiro eu e encontremos soluções para nossos problemas</strong>. É como um lugar interno onde nos sentimos livres para ser autênticos e crescer de forma saudável, nos conectando de maneira genuína com os outros.</p>



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<p>Quando o ambiente em que crescemos não é suficientemente bom, esse lugar pode invadir, sufocar e impedir que o verdadeiro eu apareça. Em vez disso, acabamos criando um &#8220;eu falso&#8221; para sobreviver. No entanto, quando crescemos em um ambiente bom, “o verdadeiro eu” pode florescer. É nesse momento que descobrimos o espaço potencial – <strong>um lugar dentro de nós onde encontramos soluções para os problemas e nos conectamos genuinamente com outras pessoas</strong>.</p>



<p>O problema é que, às vezes, encontramos pessoas que não desenvolveram esse espaço potencial. Elas podem se tornar &#8220;drenadoras emocionais&#8221;, sugando energia e deixando os outros exaustos. Sem um verdadeiro eu bem desenvolvido, essas pessoas buscam nos outros algo para preencher seu vazio. Isso resulta em relações desequilibradas e cansativas, onde só uma pessoa se beneficia enquanto a outra se sente esgotada.</p>



<p>Para evitar essa exaustão emocional e essas relações desgastantes, <strong>é essencial buscar pessoas que também têm um espaço potencial bem desenvolvido</strong>. Quando duas pessoas com espaços potenciais autênticos se encontram, podem construir uma relação baseada em trocas verdadeiras e mútuas. Elas compartilham suas forças e recursos internos, enriquecendo a vida uma da outra sem esgotar suas energias.</p>



<p>Essas relações autênticas são baseadas na reciprocidade e no apoio mútuo. Ambas as partes se beneficiam, trocando energia positiva e recursos emocionais. Em vez de se sentirem drenadas, as pessoas nessas relações se sentem fortalecidas e revitalizadas. Crescem juntas, enfrentam desafios lado a lado e celebram conquistas em conjunto.</p>



<p>Para construir relações saudáveis e verdadeiras, é importante desenvolver e proteger o espaço potencial. Isso significa cultivar o verdadeiro eu, buscar ambientes e pessoas que ofereçam apoio e perceber quando estamos sendo sugados por relações desgastantes. Fazendo isso, é possível encontrar e nutrir conexões verdadeiras que nos ajudam a prosperar e viver de forma plena e satisfatória.</p>



<p>Algumas perguntas devem ser respondidas por nós a respeito desse assunto. Veja algumas delas. Seja sincero com você mesmo e pense no que vai responder. E se quiser falar sobre isso, sinta-se à vontade para entrar em contato comigo. Os dados estão na parte de baixo deste texto.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Como você descreveria a qualidade das suas relações atuais? Quais aspectos dessas relações te deixam satisfeito(a) ou insatisfeito(a)?</li>



<li>Você sente que está frequentemente emocionalmente exausto(a) após interações com certas pessoas? Se sim, como isso afeta seu bem-estar diário?</li>



<li>Em que momentos você se sente mais autêntico(a) e verdadeiro(a) consigo mesmo(a)? Há pessoas ou ambientes específicos que contribuem para essa autenticidade?</li>



<li>Você percebe algum padrão de relações desequilibradas em sua vida? Como essas relações impactam sua energia e seu estado emocional?</li>



<li>Quais estratégias você utiliza para proteger seu espaço interno e seu verdadeiro eu? Há algo que você gostaria de mudar ou melhorar para fortalecer suas relações e evitar exaustão emocional?</li>
</ul>



<p></p>



<p><strong>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Civilização e barbarismo: o perverso jogo de poder e a psicologia da sobrevivência</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/civilizacao-e-barbarismo-o-perverso-jogo-de-poder-e-a-psicologia-da-sobrevivencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Aug 2024 01:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na contemporaneidade, as discussões políticas e econômicas globais frequentemente se distanciam das realidades brutais enfrentadas por populações marginalizadas em regiões devastadas pela fome e pela<a href="https://psicareweb.com.br/civilizacao-e-barbarismo-o-perverso-jogo-de-poder-e-a-psicologia-da-sobrevivencia/" class="more-link">View More</a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na contemporaneidade, as discussões políticas e econômicas globais frequentemente se distanciam das realidades brutais enfrentadas por populações marginalizadas em regiões devastadas pela fome e pela guerra. Enquanto nações desenvolvidas debatem sobre guerras, comércio de armamentos e a economia global, muitos são forçados a práticas de sobrevivência que são vistas como &#8220;selvagens&#8221; por eles que as impõem, como é o caso específico da Namíbia (África) que vive uma crise de seca sem precedentes e deve abater mais de 80 elefantes para alimentar população (link para o artigo).</p>



<p>O que podemos pensar nos efeitos em uma população de um destes países a partir de um contexto desse? Olhamos para eles (populações nativas africanas) como “selvagens”, “primitivos” e nos designamos como “civilizados”, “avançados”, porque não temos tais práticas ou necessidades.</p>



<p>Sigmund Freud, em sua obra &#8220;O Mal-estar na Civilização&#8221; (1930), argumenta que a repressão de instintos primitivos é fundamental para a manutenção da civilização, mas essa repressão também gera um profundo mal-estar psíquico. A civilização, ao impor normas que restringem a expressão dos impulsos mais básicos do ser humano, cria um ambiente de constante tensão entre o desejo individual e as exigências sociais. Essa tensão, segundo Freud, é uma das causas principais do mal-estar que permeia a vida moderna.</p>



<p>No contexto das relações internacionais e das dinâmicas de poder global, essa repressão se manifesta na forma de uma divisão entre o que é considerado &#8220;civilizado&#8221; e &#8220;primitivo&#8221;. O ocidente, ao se autodenominar como civilizado, projeta o que é visto como primitivo em outras culturas, especialmente nas africanas. Essa projeção é uma forma de preservar a própria imagem de superioridade moral e cultural, ao mesmo tempo em que permite a imposição de práticas de sobrevivência bárbaras a essas populações, como o consumo de carne de animais selvagens em situações de extrema necessidade.</p>



<p>A perversão pode assumir múltiplas formas, o que nos ajuda a entender essa dinâmica. O que é visto como perverso ou bárbaro em uma cultura pode ser normalizado ou até imposto a outras como uma forma de controle e dominação. Nesse sentido, as políticas econômicas e de poder global que forçam populações a adotar práticas de sobrevivência selvagens são uma manifestação dessa perversão polimórfica, mascarada por uma fachada de civilidade.</p>



<p>A naturalização do selvagem, entendida aqui como a aceitação tácita de que certas populações devam viver em condições de sobrevivência extrema, é um dos subprodutos mais insidiosos da civilização moderna. No entanto, essa naturalização não ocorre de forma passiva; ela é ativamente construída e mantida através de mecanismos psíquicos como o recalque e a projeção.</p>



<p>Freud descreve o recalque como um processo pelo qual pensamentos ou desejos inaceitáveis são mantidos fora da consciência. No caso das sociedades ocidentais, o recalque é utilizado para afastar a culpa e a responsabilidade pelas condições de vida em regiões marginalizadas. Ao relegar a brutalidade da sobrevivência a um &#8220;outro&#8221; primitivo, as sociedades ocidentais conseguem manter sua autoimagem de civilidade intacta, negando sua própria cumplicidade na criação e manutenção dessas condições.</p>



<p>Esse recalque coletivo é complementado pela projeção, um mecanismo pelo qual os próprios impulsos ou desejos inaceitáveis são atribuídos a outros. Assim, a violência e a brutalidade da sobrevivência nas favelas, nas cidades marginalizadas e na África são vistas como características intrínsecas dessas populações, enquanto o ocidente permanece imaculado, incapaz de reconhecer que suas políticas econômicas e militares contribuem diretamente para essa situação.</p>



<p>Além disso, o povo afetado por essas condições, ao internalizar as práticas de sobrevivência brutais como uma norma, acaba por reforçar a naturalização do selvagem. A aceitação da luta pela sobrevivência como uma condição inevitável é um exemplo do que Freud descreveu como a &#8220;morte da alma&#8221;, onde o indivíduo, ou a coletividade, se resigna à condição imposta, renunciando a qualquer aspiração a algo além da mera sobrevivência.</p>



<p>Ao impor essas condições às populações marginalizadas, a civilização ocidental não só revela suas próprias contradições internas, mas também seu lado perverso. Freud, ao discutir o conceito de civilização, destacou que a repressão necessária para a vida em sociedade não elimina os impulsos destrutivos; ao contrário, ela os desloca e os reconfigura, muitas vezes em formas que são ainda mais destrutivas e insidiosas.</p>



<p>A imposição de práticas de sobrevivência bárbaras, como comer carne de animais selvagens, como única forma de sobrevivência é um exemplo claro dessa perversão civilizatória. O ocidente, ao negar sua própria barbárie, impõe a outros povos as condições que ele próprio considera inaceitáveis, criando uma dissonância moral que só pode ser sustentada através da repressão e da projeção.</p>



<p>Esse paradoxo da moralidade é uma das principais fontes do mal-estar na civilização. A civilização, ao tentar suprimir seus impulsos mais primitivos, acaba por projetá-los em outros, criando um ciclo de violência e repressão que perpetua o sofrimento tanto dos dominadores quanto dos dominados.</p>



<p>O mal-estar na civilização, conforme descrito por Freud, não se limita ao indivíduo; ele é um fenômeno coletivo que permeia as estruturas sociais e políticas globais. A naturalização do selvagem, a repressão dos impulsos primitivos e a projeção da barbárie em outros povos são manifestações desse mal-estar, que se perpetua através de um ciclo de repressão e violência.</p>



<p>Podemos nos perguntar: será que é realmente a única possibilidade nós (ocidentais) relegarmos os povos que denominamos de “selvagens” ou “primitivos” à sua própria sorte?</p>



<p>Freud nos ensina que muitos de nossos comportamentos, tanto individuais quanto coletivos, são movidos por desejos inconscientes que nem sempre correspondem aos valores ou ideais conscientes que professamos. No contexto global, a retenção de recursos por nações ricas pode ser vista como uma manifestação desse desejo inconsciente de poder e controle. Embora existam recursos financeiros suficientes no mundo para aliviar significativamente a pobreza e as condições de miséria, a distribuição desigual desses recursos revela um desejo de manter o <em>status quo</em>, onde alguns possuem e controlam muito enquanto outros têm pouco ou nada.</p>



<p>Esse desejo de controle está intimamente ligado ao conceito freudiano de <em>Thanatos</em> (instinto de morte), que se manifesta na destruição, na guerra e na exploração. As nações que detêm a maior parte dos recursos econômicos podem, inconscientemente, temer perder sua posição dominante no cenário global, o que as leva a reter recursos que poderiam ser usados para o bem comum. Essa retenção é, em essência, uma forma de preservar a &#8220;superioridade&#8221; civilizatória, mesmo que às custas da vida e do bem-estar de outros povos.</p>



<p>O recalque é um mecanismo de defesa que opera tanto no nível individual quanto no coletivo, permitindo que as sociedades ignorem ou neguem responsabilidades que, se reconhecidas, poderiam gerar um profundo mal-estar. O recalque coletivo do ocidente em relação à pobreza extrema e à fome em outras partes do mundo é um exemplo claro disso. Mesmo diante da abundância de recursos, as nações ricas frequentemente preferem investir em armamentos, guerras e políticas econômicas que perpetuam a desigualdade, em vez de alocar esses recursos para combater as causas da miséria global.</p>



<p>Esse recalque é acompanhado por um discurso falacioso que, sob a aparência de civilidade e boa vontade, perpetua a ideia de que o &#8220;mundo primitivo&#8221; e &#8220;selvagem&#8221; é responsável por sua própria condição. Essa narrativa serve para proteger o ocidente da culpa e da responsabilidade, mantendo a ilusão de que as nações ricas estão fazendo o máximo que podem, quando na realidade poderiam fazer muito mais.</p>



<p>Freud sugere que, através da projeção, atribuímos aos outros impulsos ou características que não podemos aceitar em nós mesmos. No contexto global, o ocidente projeta nos países pobres e em desenvolvimento a &#8220;barbárie&#8221; e o &#8220;selvagismo&#8221;, características que a própria civilização ocidental tem reprimido ou deslocado. Essa projeção permite que as nações ricas mantenham uma imagem de superioridade moral, enquanto evitam confrontar a verdade de que suas políticas econômicas e práticas coloniais contribuíram diretamente para as condições que agora veem como &#8220;selvagens&#8221;.</p>



<p>Assim, o mundo ocidental não apenas possui os recursos necessários para ajudar financeiramente e economicamente os países em necessidade, mas também detém uma responsabilidade histórica e moral de fazê-lo. No entanto, essa ajuda deve ir além das promessas falaciosas e discursos vazios. Deve ser uma prática real, consciente e comprometida, que reconheça as complexidades da situação e enfrente as causas estruturais da pobreza e da desigualdade.</p>



<p>Vale a pena ler:</p>



<p><a href="https://amzn.to/4e1ojHd">O Mal-estar na cultura</a></p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: <a href="https://wa.me/5543988232903">(43) 98823 2903</a><br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>
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		<title>O último refúgio: entendendo a crise suicida (parte 2)</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/o-ultimo-refugio-entendendo-a-crise-suicida-parte-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 01:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Suicídio é deserção?</p>



<p>O suicídio algumas vezes pode estar ligado a quadros de transtornos mentais como bipolaridade e transtorno de personalidade borderline, que aumentam significativamente os riscos de crises suicidas, frequentemente culminando no ato em si. Além disso, doenças terminais e a depressão são fatores que agravam a saúde mental, exigindo uma abordagem cuidadosa e integrada. A saúde mental deve ser tratada como um evento familiar que necessita de muita atenção, impedindo que os indivíduos lidem com suas dificuldades de maneira solitária e independente. Uma rede de apoio familiar e social robusta é essencial para que, em momentos de crise e dificuldade, especialmente quando acometidos por esses transtornos, os indivíduos sintam que não estão lutando sozinhos.</p>



<p><strong>A impessoalidade da vida e o desejo de desaparecer</strong></p>



<p>David Le Breton, em sua obra &#8220;Desaparecer de Si&#8221;, explora o tema do suicídio a partir da perspectiva da impessoalidade e indiferença na vida. Ele discute como a sensação de não ser mais de ninguém – de desaparecer de si mesmo – permeia a existência de muitas pessoas. Le Breton aponta que, mesmo tendo filhos, muitos se sentem impessoais, desejando desaparecer no sono, buscando uma fuga da presença na vida cotidiana. A depressão é marcada por um desejo profundo de dormir e de não estar presente, alimentando-se da fadiga, do burnout, e da imersão excessiva em atividades. Essas atividades, muitas vezes, servem como uma tentativa de anulação de si mesmo, uma forma de desaparecer no outro ou nas coisas.</p>



<p><strong>Crescimento e estabelecimento da crise suicida</strong></p>



<p>Quando a crise suicida se instala, ela encontra terreno fértil nesses sintomas e sentimentos para crescer e se estabelecer. A sensação de impessoalidade, a indiferença, e a exaustão emocional criam um ambiente onde a ideia de desaparecer de si mesmo se torna cada vez mais atraente. É importante aqui entender que esses sintomas não surgem isoladamente, mas são interligados e exacerbados pelos transtornos mentais e pelas condições de vida. É preciso sempre se lembrar disso: suicídio é a culminação de uma crise suicida, que está ligada à vida toda &#8211; tudo o que está interligado e sendo percebido muitas vezes de uma forma até alterada ou como também podemos chamar, dismórfica, todas as relações da vida da pessoa, a família, o trabalho, os estudos, afazeres, sentimentos, visão de mundo &#8211; tudo está ao mesmo intimamente interligado e paradoxalmente fragmentado e desintegrado funciona como uma teia dando a entender à mente dessa pessoa que sofre, como se tudo pudesse fazer sentido, demonstrando assim, a fragilidade pessoal e uma saúde mental frágil, contribuindo para o fatídico auto extermínio.</p>



<p><strong>A importância do suporte familiar e social</strong></p>



<p>Em tempos de crise é essencial que a sociedade e a família forneçam suporte constante e incondicional. Quem está em sofrimento deve sentir que não está sozinho em sua luta. A atenção à saúde mental não deve ser um esforço solitário, mas uma responsabilidade compartilhada. Somente através de uma rede de apoio completa e integrada é que podemos ajudar essas pessoas a encontrar força e esperança em momentos de desespero.</p>



<p>O entendimento do suicídio, portanto, especialmente em relação aos transtornos mentais graves, requer uma abordagem que envolva toda a família e a sociedade. É necessário criar um ambiente onde as pessoas sintam que há uma luta coletiva por sua vida e bem-estar, proporcionando apoio e compreensão contínuos. Ao reconhecer a profundidade dos sentimentos de impessoalidade (fragmentação da personalidade) e desespero, podemos trabalhar juntos para prevenir que essas crises se transformem em tragédias irreversíveis.</p>



<p>Cada um de nós tem um papel essencial e intransferível na luta contra o suicídio. Não se trata apenas de oferecer suporte àqueles em crise, mas também de cuidar da nossa própria vida com a máxima responsabilidade e integridade, pois, nossas ações, atitudes e presença impactam profundamente todos ao nosso redor &#8211; principalmente aqueles que estão em crise suicida. Ao viver de maneira consciente e empática, fortalecemos não apenas nossa própria saúde mental, mas também contribuímos para um ambiente mais saudável e solidário para todos.</p>



<p>Portanto, suicídio não é deserção nem covardia, porém, é um alerta de adoecimento profundo e de rebaixamento funcional completo de alguém que está imerso em uma sombra de dor tão profunda que atesta que não consegue mais cuidar de si mesmo, para resolver seus próprios problemas. No entanto, em seu último ato, através de uma violência extrema, revela uma falibilidade tão profunda que nos choca e nos evidencia em nosso próprio sentido de humanidade que perdeu o rumo como gregários.</p>



<p>É imperativo assumirmos a responsabilidade pela vida – a nossa e a dos outros. Juntos, temos o poder de criar um ambiente onde ninguém se sinta isolado em sua luta, onde cada vida seja valorizada e protegida com o cuidado e respeito que merece. Agora é o momento de agir com determinação e compaixão, pois a vida de cada pessoa está interligada e depende de nosso compromisso coletivo.</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</p>
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		<title>A violência contra as mulheres: uma análise sociopsicocultural – parte 3</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Aug 2024 01:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao finalizar o outro artigo terminei falando que o ambiente familiar disfuncional, ao normalizar esses comportamentos, perpetua um ciclo de violência e subjugação. Para entender<a href="https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-3/" class="more-link">View More</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao finalizar o outro artigo terminei falando que o ambiente familiar disfuncional, ao normalizar esses comportamentos, perpetua um ciclo de violência e subjugação.</p>



<p>Para entender por que a violência contra as mulheres ocorre, é útil considerar a perspectiva de Winnicott, que argumentaria que a violência e a subjugação resultam de uma falha no ambiente facilitador. Nesse contexto, as necessidades emocionais básicas de segurança, reconhecimento e aceitação não são atendidas. A criança que cresce em um ambiente onde a violência é uma resposta comum a conflitos ou frustrações aprende a usar a violência como uma estratégia de vida. Além disso, a internalização de papéis de gênero rígidos e disfuncionais pode levar tanto homens quanto mulheres a perpetuar padrões de comportamento abusivo e subjugador.</p>



<p>Homens muitas vezes internalizam a necessidade de dominar para afirmar sua masculinidade, enquanto mulheres podem aceitar a subjugação como uma norma inevitável, buscando formas de se significarem através de relacionamentos abusivos. A falha em proporcionar um ambiente facilitador que valorize e respeite ambos os sexos igualmente contribuem para a perpetuação desses ciclos de violência e subjugação.</p>



<p>Winnicott, Freud e Laplanche oferecem diferentes perspectivas sobre a violência, especialmente em relação aos conceitos de excesso e a natureza polimórfica da violência (<em>natureza polimórfica significa que a pessoa experimenta prazer e desejos de formas variadas, geralmente associada à prazeres infantis, não desenvolvidos para a vida adulta – por exemplo: prazer em sentir ou provocar dor e violência</em>).</p>



<p>Winnicott descreve a violência como uma resposta ao fracasso do ambiente facilitador em fornecer segurança e nutrição emocional. Para ele, o excesso através da violência é uma tentativa de compensar uma identidade fragmentada e uma incapacidade de encontrar um lugar na sociedade. O excesso de raiva, por exemplo, pode ser uma manifestação dessa identidade fragmentada, onde o homem, sentindo-se impotente e inadequado, precisa afirmar seu poder sobre a mulher, tornando-a um objeto e reivindicando o direito de controlar sua vida e morte.</p>



<p>Freud aborda a violência através da lente dos impulsos instintivos, onde o excesso através da violência pode ser visto como uma expressão de pulsões destrutivas (<em>pulsões destrutivas são impulsos inconscientes que levam uma pessoa a causar dano a si mesma ou aos outros. Na psicanálise, essas pulsões são vistas como parte da natureza humana, direcionadas por forças internas que buscam a destruição e a agressão</em>) que não foram adequadamente sublimadas (<em>transformação de impulsos ou desejos instintivos, especialmente aqueles de natureza sexual ou agressiva, em ações ou comportamentos socialmente aceitáveis e construtivos. Na psicanálise, esse processo permite que a energia desses impulsos seja redirecionada para atividades como arte, trabalho ou esporte</em>). A relação assimétrica, onde o agressor não consegue reconhecer a humanidade da mulher, é uma tentativa de afirmar sua própria identidade em face de uma profunda insegurança e medo da castração simbólica (<em>refere-se ao medo ou percepção de perda de poder, autoridade ou identidade, frequentemente associada à ausência ou limitação de certas capacidades ou atributos desejados</em>).</p>



<p>Para Laplanche (2019), o conceito de &#8220;excesso&#8221; é central à sua compreensão destes fenômenos, especialmente em relação aos desejos e pulsões humanas. Ele vê o excesso como a manifestação de desejos que ultrapassam a capacidade do indivíduo de integrá-los de maneira saudável. Este excesso está frequentemente ligado à polimorfia dos impulsos (<em>frequentemente observado na sexualidade infantil, onde os impulsos são variados e não organizados conforme as normas adultas. Homens violentos são desintegrados da vida adulta e agem como infantis, sem condições de viver de forma adulta e contida</em>), que são diversos e muitas vezes conflitantes. Quando esses desejos não são devidamente <strong>contidos ou sublimados</strong>, eles podem se expressar de maneiras disfuncionais, incluindo comportamentos <strong>violentos</strong>. Na visão de Laplanche, o excesso é uma resposta à incapacidade de lidar com a complexidade e a intensidade dos próprios desejos, resultando em ações que tentam controlar ou eliminar o que é percebido como ameaçador ou incontrolável.</p>



<p>O homem, quando não consegue encontrar seu lugar na sociedade, tem uma formação reativa ao sexo oposto, pois a mulher exige dele coisas que ele não pode oferecer. Por exemplo, uma mulher que se divorcia do marido e não deseja mais o relacionamento exige que ele viva sozinho consigo mesmo. A falta de identidade e equilíbrio faz com que o homem não consiga lidar com sua raiva, impondo à mulher uma negação da existência e da vida, estendendo a morte simbólica que ele próprio já experimenta, quando ele morre para todos os limites e princípios, estendendo isso de forma prática chegando a tirar a vida da mulher, pelo simples fato dela desejar ter uma vida fora da convivência com ele.</p>



<p>Muitas mulheres têm a capacidade de serem criativas quando não têm o homem ao seu lado. Quando são abandonadas, reconstroem suas vidas com os filhos, promovem novas fontes de renda e sustento. Por outro lado, o homem, demonstra um empobrecimento muito grande, incapaz de respeitar o outro e a si mesmo na preservação da vida, infringindo os direitos humanos ao tirar da mulher o direito de ser humana e de fazer escolhas.</p>



<p>Há uma naturalização da violência, pois, entende-se que a forma estrutural da violência é maquiada por uma fachada de inevitabilidade histórica e de uma concepção de modelo masculino como que biologicamente criado para a violência: “<em>violência é coisa de homem</em>”. A estrutura de dominação é construída a partir destas visões de mundo, internalizada e naturalizada, onde o homem, naturalmente é violento. Bourdieu afirma que as relações de dominação são construídas socialmente, onde a estrutura é que a violência é um hábito masculino, como se o homem tivesse direito a usar a violência <strong>porque é homem.</strong></p>



<p><strong>Essa é uma das facetas do machismo: um sistema de domínio e violência. </strong>O machismo é um adoecimento da mente, uma extensão do masculino que não pode ser plenamente realizado, resultando em fragmentação e violência. O excesso através da violência é uma necessidade para aqueles que têm um vazio interior. Homens, utilizando-se da estrutura social machista, impõem às suas mulheres e as submetem a esse tipo de relacionamento, um relacionamento baseado na dominação, na objetificação e na violência como resposta às diferenças de pensamento e de desejo e enxergam isso como a única forma possível de existir.</p>



<p>De que maneira você, homem ou mulher que me lê, compreende o machismo e sua pior face – a violência, seja ela psicológica, física, econômica ou simbólica? Como você vê as pressões familiares e sociais para as escolhas conjugais e relacionais que levam mulheres a permanecerem em relacionamento abusivos? Que estratégias você mesmo pode implementar no seu meio (amigos, família, grupos de afinidade, comunidades eclesiásticas etc.) para apoiar mulheres a se libertarem destas condições?</p>



<p>Há muito o que fazer!</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: <a href="https://wa.me/5543988232903">(43) 98823 2903</a><br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>



<p><strong>Referências para consulta</strong></p>



<p>Bourdieu P. (1999). <a href="https://amzn.to/3A2YLuP">A dominação masculina</a>. Bertrand Brasil.</p>



<p>Costa, G. P., &amp; Katz, G. (1992). Dinâmica das relações conjugais. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Daquino, M. (2019). <a href="https://amzn.to/3WpB8DZ">A diferença sexual: gênero e psicanálise</a>. Aller.</p>



<p>Eiguer, A. (1985). <a href="https://amzn.to/4d0m077">Um divã para a família: do modelo grupal à terapia familiar psicanalítica</a>. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Ferreira, E. D. S., &amp; Danziato, L. J. B. (2019). A violência psicológica na mulher sob a luz da psicanálise: um estudo de caso. Cadernos de psicanálise (Rio de Janeiro), 41(40), 149-168.</p>



<p>Laplanche, J., &amp; Pontalis, J. B. (2019). <a href="https://amzn.to/3Swdk0h">O vocabulário da psicanálise</a>. Martins Fontes.</p>



<p>Machado, O. (2019). A violência contra as mulheres como crime de ódio.</p>



<p>Nobre, M. T. (2006). Resistências femininas e estratégias de enfrentamento da violência. In A. C. S. Paiva &amp; A. F. C. Vale. Estilísticas da sexualidade (pp. 115-136). Campinas: Pontes Editores</p>



<p>Rosa, M. D., &amp; Domingues, E. (2010). O método na pesquisa psicanalítica de fenômenos sociais e políticos: a utilização da entrevista e da observação. Psicologia &amp; Sociedade, 22, 180-188.</p>



<p>Winnicott, D. W. (1998b). <a href="https://amzn.to/3LLno1x">O ambiente e os processos de maturação</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2000). <a href="https://amzn.to/4d46Qhf">Da pediatria à psicanálise</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2001). <a href="https://amzn.to/4c5sYGI">A família e o desenvolvimento individual</a>.</p>



<p>Zanello, V. (2018). <a href="https://amzn.to/3LLlxKg">Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação.</a> Appris.</p>
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		<item>
		<title>Psicologia do Perdão: O que é Perdoar de Verdade</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/psicologia-do-perdao-o-que-e-perdoar-de-verdade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2024 22:51:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Publicações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Perdoar não é só dizer "eu te perdoo" e esquecer o que aconteceu. Perdão verdadeiro não é amnésia, pois nossas memórias não desaparecem. O verdadeiro perdão é criar “novas memórias” que superem as antigas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Perdoar não é só dizer &#8220;eu te perdoo&#8221; e esquecer o que aconteceu</strong>. Perdão verdadeiro não é <strong>amnésia</strong>, pois nossas memórias não desaparecem. O verdadeiro perdão é criar “novas memórias” que superem as antigas. Quando perdoamos, estamos dando uma nova chance à pessoa que nos machucou. Sem essas novas chances, o passado continua se repetindo, sempre presente em nossas mentes. É só quando criamos “novas experiências”, novos momentos, que conseguimos deixar o passado para trás. <strong>O perdão é um dos aspectos mais profundos e transformadores na prática da psicologia</strong>. A capacidade de perdoar não é um processo instantâneo ou simples, mas envolve uma compreensão profunda e uma reconfiguração de nossas memórias e experiências.</p>



<p>Perdoar não é simplesmente esquecer ou suprimir lembranças dolorosas. Ao contrário, a verdadeira essência do perdão reside na capacidade de <strong>criar “novas memórias</strong>” que possam suplantar as antigas. Perdoar é dar uma nova chance à pessoa envolvida, permitindo que uma nova paisagem emocional e mental se forme. <strong>Sem essas novas oportunidades, o passado continua a se atualizar em nossas vidas, perpetuando o ciclo de dor e ressentimento</strong>.</p>



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<p>Nossas memórias têm o poder de permanecer vivas e presentes, sendo constantemente atualizadas em nossa mente. O processo de perdão envolve interromper essa atualização contínua ao introduzir novas experiências e vivências que oferecem uma perspectiva diferente. A introdução de novas memórias cria um espaço para o crescimento e a cura, permitindo que o passado deixe de ter um domínio tão forte sobre o presente.</p>



<p>Do ponto de vista da saúde mental, o perdão traz inúmeros benefícios. Ele reduz o estresse, alivia a ansiedade e a depressão, e promove um senso de bem-estar e paz interior. Além disso, o ato de perdoar tem o poder de melhorar relacionamentos, fortalecer a resiliência emocional e fomentar um senso de continuidade e conexão.</p>



<p>Em minha prática clínica, frequentemente falo aos meus pacientes sobre a importância do <strong>sentimento de continuidade</strong>, baseado na teoria de Winnicott. A mágoa, o ressentimento e a dor muitas vezes nos impõem rupturas, e a sociedade moderna frequentemente vê essas rupturas como formas de alívio. No entanto, o verdadeiro alívio e a verdadeira cura vêm da renovação do sentimento de continuidade — um sentimento que deve ser cultivado desde o início da vida.</p>



<p>Não se trata de perpetuar os erros do passado, mas de <strong>aprender a partir deles e gerar novas experiências positivas</strong>. O erro, por si só, não ensina nada; o que realmente importa é como lidamos com o erro e a maneira como buscamos acertar a partir dele. Este processo de reconfiguração das memórias e comportamentos é fundamental para a verdadeira aprendizagem e crescimento.</p>



<p>Só aprendemos de verdade quando nos permitimos criar “novas memórias” de acerto. O reconhecimento do erro é crucial, não para perpetuar o ciclo de erro, mas para transformar o problema e criar “novas oportunidades” de acerto. O perdão, portanto, é uma forma de aprendizado, uma forma de treinar novos comportamentos e construir um novo caminho a partir da experiência.</p>



<p>A psicologia do perdão é um processo de <strong>renovação</strong> e <strong>transformação</strong>, onde o passado pode ser reinterpretado e onde <strong>novas memórias podem suplantar as antigas</strong>. No meu trabalho clínico, vejo o poder do perdão diariamente, ajudando meus pacientes a encontrar continuidade, paz e uma nova maneira de viver e relacionar-se com o mundo.</p>



<p>Sempre gosto de terminar o que escrevo deixando algumas perguntas para que você possa pensar e responder sinceramente e se tiver alguma necessidade sobre isso que queira conversar, basta entrar em contato comigo para agendarmos uma sessão.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Você sente que as lembranças dolorosas do passado ainda têm um impacto significativo em sua vida atual? De que maneira essas memórias afetam seu bem-estar diário?</li>



<li>Você acredita que a falta de perdão está perpetuando sentimentos de mágoa e ressentimento em seus relacionamentos? Como isso tem influenciado suas interações com os outros?</li>



<li>Ao refletir sobre o conceito de criar “novas memórias” para superar as antigas, você consegue identificar momentos em que poderia dar uma nova chance a alguém que o magoou? Como isso poderia impactar sua jornada de cura?</li>



<li>Você percebe uma sensação de ruptura em sua vida devido a mágoas passadas? Como o sentimento de continuidade, como mencionado na teoria de Winnicott, poderia ajudar a restaurar seu senso de paz e bem-estar?</li>



<li>Você tem dificuldade em reconhecer e aprender com os erros do passado? Como a prática do perdão poderia transformar esses erros em novas oportunidades de acerto e crescimento pessoal?</li>
</ul>



<p></p>



<p><strong>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: @psi.auricienelidorio<br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: www.psicareweb.com.br</strong></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A violência contra as mulheres: uma análise sociopsicocultural – parte 2</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2024 01:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pausei o outro artigo falando sobre o trabalho penoso a ser feito, pois há uma trama que entremeia tudo. Zanello (2018) argumenta que o sofrimento<a href="https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-2/" class="more-link">View More</a></p>
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<p>Pausei o outro artigo falando sobre o trabalho penoso a ser feito, pois há uma trama que entremeia tudo.</p>



<p>Zanello (2018) argumenta que o sofrimento psíquico é gendrado, ou seja, os processos são marcados pelo gênero, gerando experiências diferentes para homens e mulheres. As mulheres são frequentemente sujeitas aos dispositivos do casamento, da maternidade e do amor, que impõem silêncio e resignação sobre sua existência. A cultura impõe às mulheres, por exemplo, que só farão sentido em suas vidas a partir da maternidade ou do casamento, que seu valor está vinculado ao homem e ao fruto desse homem – essa ideia manifesta o desprezo pela individualidade feminina como um ser humano único e, portanto, possuidor de vida em si mesma e com condições de tristeza e felicidade dentro e fora dos relacionamentos conjugais.</p>



<p>O que se quer na cultura é impor à mulher um silêncio. Um silêncio destrutivo que, desde muito cedo, ainda em casa, no relacionamento com irmãos e pais, muitas de nós ouvem que não somos nada e que devemos ficar caladas, que não devemos nos manifestar, nos chamam de exageradas quando colocamos para fora o que sentimos e nos sentimos deslocadas, sempre no lugar errado – é o que nos dizem.</p>



<p>As atitudes aprendidas na família de origem influenciam os relacionamentos futuros, perpetuando uma história de maus-tratos ao longo das gerações. Eiguer (1985) e Costa e Katz (1992) sugerem que a escolha do parceiro é influenciada por elementos inconscientes e primitivas relações com os pais, determinando em parte os relacionamentos amorosos e suas dinâmicas de poder.</p>



<p>Essa estrutura preconceituosa é organizada na sociedade e na cultura, nessas relações de opressão, exploração e dominação. Ela se manifesta não apenas nas relações íntimas, mas também em outras relações interpessoais e profissionais, frequentemente de formas sutis e naturalizadas.</p>



<p>Compreender a violência contra as mulheres exige uma análise profunda das estruturas patriarcais e dos modos de subjetivação que sustentam essa violência. É necessário desconstruir o machismo em todas as suas formas e promover uma cultura de respeito e igualdade. A psicanálise, como ação clínica e psicoeducacional, tenta, ao recuperar o singular no coletivo, desempenhar um papel importante nesse processo, oferecendo um espaço de reflexão e transformação para mulheres e homens.</p>



<p>Falo muito sobre Winnicott pois compreendo que a sua abordagem é o que de melhor temos para ajudar famílias a se estruturarem melhor e a compreenderem os problemas e as saídas criativas que possuímos.</p>



<p>Com ênfase nas relações iniciais e no ambiente facilitador, essa abordagem oferece uma lente rica para compreender como o contexto de formação familiar, a subjugação feminina e os atos de violência são engendrados. Destaca-se a importância do ambiente e das primeiras relações na formação do self e na saúde mental dos indivíduos. Esses conceitos são essenciais para analisar como padrões de violência e subjugação podem se enraizar e perpetuar dentro das estruturas familiares e sociais.</p>



<p>O &#8220;ambiente facilitador&#8221; que sempre me refiro é o ambiente inicial que sustenta e nutre o desenvolvimento emocional da criança. Esse ambiente, geralmente proporcionado pela mãe ou pela figura cuidadora principal, deve ser suficientemente bom para permitir que a criança desenvolva um senso de segurança e confiabilidade no mundo ao seu redor. No entanto, quando esse ambiente é disfuncional ou marcado por violência e subjugação, a capacidade da criança de formar um self coeso e saudável é comprometida.</p>



<p>O self verdadeiro se desenvolve a partir da experiência de ser cuidado de maneira consistente e empática. A ausência de um ambiente facilitador pode levar à formação de um &#8220;self falso&#8221;, onde o indivíduo adota comportamentos e identidades que são respostas adaptativas a um ambiente hostil. Em famílias onde a subjugação feminina e a violência são prevalentes, as crianças podem internalizar esses padrões como normativos, influenciando suas futuras relações e percepções de gênero.</p>



<p>As primeiras relações com as figuras parentais são muito importantes. A interação entre a criança e seus cuidadores estabelece as bases para a saúde mental e emocional. Em um ambiente onde a mãe é subjugada e o pai exerce controle violento, a criança pode desenvolver uma visão distorcida das relações de poder e intimidade. Essas experiências iniciais moldam suas expectativas e comportamentos em relações futuras, muitas vezes levando à repetição de padrões abusivos e subjugadores.</p>



<p>A subjugação feminina e os atos de violência dentro da família podem ser entendidos como expressões de uma dinâmica de poder disfuncional. O que acontece é que o agressor, muitas vezes reproduzindo comportamentos aprendidos na infância, exerce violência como uma forma de afirmar controle e lidar com sentimento de insegurança e impotência. O ambiente familiar disfuncional, ao normalizar esses comportamentos, perpetua um ciclo de violência e subjugação.</p>



<p>Continuemos na parte 3 desse artigo.</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: <a href="https://wa.me/5543988232903">(43) 98823 2903</a><br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>



<p><strong>Referências para consulta</strong></p>



<p>Bourdieu P. (1999). <a href="https://amzn.to/3A2YLuP">A dominação masculina</a>. Bertrand Brasil.</p>



<p>Costa, G. P., &amp; Katz, G. (1992). Dinâmica das relações conjugais. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Daquino, M. (2019). <a href="https://amzn.to/3WpB8DZ">A diferença sexual: gênero e psicanálise</a>. Aller.</p>



<p>Eiguer, A. (1985). <a href="https://amzn.to/4d0m077">Um divã para a família: do modelo grupal à terapia familiar psicanalítica</a>. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Ferreira, E. D. S., &amp; Danziato, L. J. B. (2019). A violência psicológica na mulher sob a luz da psicanálise: um estudo de caso. Cadernos de psicanálise (Rio de Janeiro), 41(40), 149-168.</p>



<p>Laplanche, J., &amp; Pontalis, J. B. (2019). <a href="https://amzn.to/3Swdk0h">O vocabulário da psicanálise</a>. Martins Fontes.</p>



<p>Machado, O. (2019). A violência contra as mulheres como crime de ódio.</p>



<p>Nobre, M. T. (2006). Resistências femininas e estratégias de enfrentamento da violência. In A. C. S. Paiva &amp; A. F. C. Vale. Estilísticas da sexualidade (pp. 115-136). Campinas: Pontes Editores</p>



<p>Rosa, M. D., &amp; Domingues, E. (2010). O método na pesquisa psicanalítica de fenômenos sociais e políticos: a utilização da entrevista e da observação. Psicologia &amp; Sociedade, 22, 180-188.</p>



<p>Winnicott, D. W. (1998b). <a href="https://amzn.to/3LLno1x">O ambiente e os processos de maturação</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2000). <a href="https://amzn.to/4d46Qhf">Da pediatria à psicanálise</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2001). <a href="https://amzn.to/4c5sYGI">A família e o desenvolvimento individual</a>.</p>



<p>Zanello, V. (2018). <a href="https://amzn.to/3LLlxKg">Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação.</a> Appris.</p>
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		<title>A violência contra as mulheres: uma análise sociopsicocultural – parte 1</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-1/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2024 01:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A violência contra as mulheres é uma realidade dolorosa e complexa presente em muitas sociedades ao redor do mundo, incluindo a brasileira. Compreender esse fenômeno<a href="https://psicareweb.com.br/a-violencia-contra-as-mulheres-uma-analise-sociopsicocultural-parte-1/" class="more-link">View More</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A violência contra as mulheres é uma realidade dolorosa e complexa presente em muitas sociedades ao redor do mundo, incluindo a brasileira. Compreender esse fenômeno é urgente, pois é algo que não cessa sozinho e as estatísticas de violência contra mulheres são assustadoras.</p>



<p>No seu vídeo, Nailor Marques Junior (no Canal Bistilhoteiro) fala que a violência contra a mulher não é algo que nasce sozinha, mas que é engendrada, arquitetada, planejada e influenciada pelos matizes normativos e constitutivos de nossa maneira de pensar e agir em meio ao nosso caminho familiar, educacional e social. Concordo com isso, e para tentar compreender melhor esse desenvolvimento de pensamento que vai dentro da mente de quem pratica a violência (e de quem a sofre!), precisamos olhar para a construção da violência, onde ela começa e como se desenvolve.</p>



<p>Há algo histórico e social nesse tema, já que em muitas sociedades a mulher é vista como patrimônio pessoal do homem. Um bem, algo que ele pode usar (e abusar!) e descartar quando e como desejar. O “poder” é dele, e ela precisa apenas se submeter ao contexto em que isso acontece, provendo de todas as formas possíveis a satisfação desse homem. Esse entendimento, arraigado em uma estrutura patriarcal, contribui significativamente para a perpetuação da violência. A objetificação das mulheres e o controle sobre seus corpos são aspectos centrais dessa dinâmica, onde o machismo estrutural exerce uma função social de dominação, inferiorizando as mulheres para controlar seus comportamentos e subjugar sua existência. Há um ódio quanto ao feminino, onde os corpos e mentes das mulheres exercem um papel de medo (e é o medo da aniquilação ou da não existência que leva a comportamentos de violência).</p>



<p>As escolhas conjugais são uma história que se repetem. Podemos perguntar: por que mulheres acabam escolhendo cônjuges que as violentam? As histórias de vida das mulheres marcadas pela violência frequentemente estabelecem um padrão de trauma que se repete em suas escolhas conjugais. Ferreira e Danziato (2019) destacam que há um comportamento repetitivo na escolha do parceiro, onde a traição e a negação do sofrimento são comuns. Muitas mulheres permanecem em relações abusivas como uma forma de se significarem enquanto mulheres, acreditando que a violência e o ciúme são provas de amor. Por mais difícil que isso possa parecer, encontro muito disso na Clínica em minha experiência como terapeuta de casais.</p>



<p>Não devemos falar apenas do sintoma: a violência em si, apesar de assumir proporções gigantes, é tratada exaustivamente em várias correntes de pensamento: direito, teologia, filosofia etc. A violência não é apenas um sintoma a ser tratado. A localização da violência como um sintoma individual da mulher é uma visão perigosa, pois pode reforçar a manutenção de uma sociedade patriarcal. Rosa e Domingues (2010) afirmam que o sujeito é produto e produtor da rede simbólica que caracteriza o social e o político. Portanto, é fundamental considerar a estrutura patriarcal e os modos de subjetivação intrincados aos sistemas humanos como cerne do problema.</p>



<p>Ondina Machado (2019) realiza uma investigação psicanalítica sobre a violência contra as mulheres, comparando-a ao racismo como crimes de ódio. Ela descreve a violência contra as mulheres como um &#8220;crime de gozo&#8221;, onde o agressor não suporta que o Outro goze de maneira diversa da sua. Esse tipo de violência revela a radicalidade do ódio contra o feminino, muitas vezes ancorado no machismo estrutural.</p>



<p>“Ah! mas a senhora está misturando tudo” – sim, claro, isso é propositado principalmente porque, para entender o assunto, não podemos tratá-lo de forma isolada, mas como um conjunto bem estruturado que revela a perversão e maldade humana vivida e transmitida ao longo dos séculos nas tentativas de subjugação feminina por parte de quem sempre esteve no poder – “nessa festa de homens”. Há ações, pensamentos, diretivas, entendimentos – tudo isso dentro de nossa cultura humana – que fornecem a compreensão adequada da construção dessa verdadeira teia de violência contra as mulheres – o ponto sempre é mais profundamente enraizado na nossa formação como humanos e não somente um caso isolado.</p>



<p>O trabalho Psicológico é essencial para identificar e trabalhar as particularidades individuais dentro do contexto coletivo, promovendo uma compreensão profunda das experiências únicas de cada paciente. Daquino (2017) enfatiza a necessidade de uma análise cuidadosa das novas manifestações de mal-estar na sociedade, como a violência contra a mulher, o feminicídio e outras formas de discriminação e segregação. Ao focar nas singularidades e respeitar as diferenças, o podemos ajudar a desconstruir preconceitos e fomentar uma cultura de respeito e empatia. Esse é um trabalho penoso e árduo, mas muito necessário.</p>



<p>Continuaremos na parte 2 desse artigo.</p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: <a href="https://wa.me/5543988232903">(43) 98823 2903</a><br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>



<p><strong>Referências para consulta</strong></p>



<p>Bourdieu P. (1999). <a href="https://amzn.to/3A2YLuP">A dominação masculina</a>. Bertrand Brasil.</p>



<p>Costa, G. P., &amp; Katz, G. (1992). Dinâmica das relações conjugais. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Daquino, M. (2019). <a href="https://amzn.to/3WpB8DZ">A diferença sexual: gênero e psicanálise</a>. Aller.</p>



<p>Eiguer, A. (1985). <a href="https://amzn.to/4d0m077">Um divã para a família: do modelo grupal à terapia familiar psicanalítica</a>. Porto Alegre: Artes Médicas.</p>



<p>Ferreira, E. D. S., &amp; Danziato, L. J. B. (2019). A violência psicológica na mulher sob a luz da psicanálise: um estudo de caso. Cadernos de psicanálise (Rio de Janeiro), 41(40), 149-168.</p>



<p>Laplanche, J., &amp; Pontalis, J. B. (2019). <a href="https://amzn.to/3Swdk0h">O vocabulário da psicanálise</a>. Martins Fontes.</p>



<p>Machado, O. (2019). A violência contra as mulheres como crime de ódio.</p>



<p>Nobre, M. T. (2006). Resistências femininas e estratégias de enfrentamento da violência. In A. C. S. Paiva &amp; A. F. C. Vale. Estilísticas da sexualidade (pp. 115-136). Campinas: Pontes Editores</p>



<p>Rosa, M. D., &amp; Domingues, E. (2010). O método na pesquisa psicanalítica de fenômenos sociais e políticos: a utilização da entrevista e da observação. Psicologia &amp; Sociedade, 22, 180-188.</p>



<p>Winnicott, D. W. (1998b). <a href="https://amzn.to/3LLno1x">O ambiente e os processos de maturação</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2000). <a href="https://amzn.to/4d46Qhf">Da pediatria à psicanálise</a>.</p>



<p>Winnicott, D. W. (2001). <a href="https://amzn.to/4c5sYGI">A família e o desenvolvimento individual</a>.</p>



<p>Zanello, V. (2018). <a href="https://amzn.to/3LLlxKg">Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação.</a> Appris.</p>
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		<title>O Abuso Sexual Infantil</title>
		<link>https://psicareweb.com.br/o-abuso-sexual-infantil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Auriciene Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jul 2024 01:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O abuso sexual infantil é uma violação devastadora que ultrapassa os limites físicos e emocionais de uma criança, causando danos profundos e duradouros. eAlém das<a href="https://psicareweb.com.br/o-abuso-sexual-infantil/" class="more-link">View More</a></p>
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<p>O abuso sexual infantil é uma violação devastadora que ultrapassa os limites físicos e emocionais de uma criança, causando danos profundos e duradouros. eAlém das consequências óbvias da invasão do corpo da criança e uma dilapidação de suas vontades, as consequências do abuso sexual infantil são devastadoras e podem afetar a vida da vítima de diversas maneiras. Crianças que sofrem esse tipo de abuso frequentemente enfrentam problemas emocionais e psicológicos graves, como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. Por exemplo, uma criança abusada pode ter dificuldade em confiar nos outros, desenvolver comportamentos autodestrutivos e enfrentar problemas de relacionamento na vida adulta. Ela pode sofrer também o impacto no desempenho escolar e no desenvolvimento social bem significativo, muitas vezes resultando em isolamento e dificuldade em alcançar seu pleno potencial.</p>



<p>Destaco três temas importantes: Assédio, Abuso e Violência Sexual.</p>



<p>O assédio envolve comportamentos que causam desconforto ou medo na criança, sem necessariamente envolver contato físico. Pode incluir comentários inadequados, exibição de material pornográfico ou qualquer forma de aproximação sexual não desejada.</p>



<p>O abuso sexual envolve contato físico e atividades sexuais impostas à criança. Este contato pode variar desde carícias até penetração, e é caracterizado pelo uso de coerção, manipulação ou força para satisfazer desejos sexuais do abusador.</p>



<p>O abuso sexual caracteriza-se por qualquer ação de interesse sexual de um ou mais adultos em relação a uma criança ou adolescente, podendo ocorrer tanto no âmbito intrafamiliar – relação entre pessoas que tenham laços afetivos, quanto no âmbito extrafamiliar – relação entre pessoas que não possuem parentesco (Florentino, 2015).</p>



<p>Em nossa cultura, o incesto é uma das formas de abuso sexual mais frequente, sendo este o que geralmente causa consequências – em nível psíquico – extremamente danosas às vítimas (Florentino, 2015).</p>



<p>Já a violência sexual é a forma mais extrema de abuso, envolvendo agressões físicas que causam danos corporais e psíquicos graves à vítima. Este tipo de violência frequentemente resulta em traumas profundos e duradouros.</p>



<p>A violência sexual caracteriza-se: [&#8230;] por um ato ou jogo sexual, em uma relação heterossexual ou homossexual, entre um ou mais adultos e uma criança ou adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança ou adolescente, ou utilizá-la para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa (AZEVEDO; GUERRA, 1998, p.33). Destaca-se que a violência sexual pode ser compreendida a partir de duas especificidades/peculiaridades: exploração sexual e abuso sexual (Florentino, 2015).</p>



<p>É muito necessário falarmos do excesso, a sexualidade em excesso. Na psicanálise, o conceito de excesso em sexualidade refere-se à hiper estimulação e à exposição precoce da criança a conteúdo ou comportamento sexual inadequado para sua idade. Este excesso pode provocar confusão, ansiedade e dificuldades no desenvolvimento saudável da sexualidade.</p>



<p>O artigo &#8220;<a href="https://doi.org/10.1590/1984-0292/805"><em>As possíveis consequências do abuso sexual praticado contra crianças e adolescentes</em></a>&#8221; (Florentino, 2015) destaca as graves repercussões do abuso sexual na vida das vítimas. A literatura aponta para um aumento significativo de riscos de psicopatologias graves, incluindo transtornos de ansiedade, depressão, comportamento autodestrutivo e dificuldades no estabelecimento de relações interpessoais saudáveis.</p>



<p>Florentino (2015) destaca que a violência doméstica, segundo Adorno (1988), é uma forma de relação social que está diretamente relacionada ao modo pelo qual os homens produzem e reproduzem suas condições sociais de existência. Ao mesmo tempo, ela é a negação de valores considerados universais, como liberdade, igualdade e a própria vida. Neste processo, a criança e o adolescente são as maiores vítimas de atos abusivos e maus-tratos, ocasionados por sua maior vulnerabilidade e dependência.</p>



<p>Os estudos mostram que as crianças abusadas sexualmente tendem a apresentar sintomas como isolamento social, baixa autoestima, comportamentos agressivos ou retraídos e problemas de aprendizagem. A violação dos limites psíquicos e corporais interfere no desenvolvimento emocional, resultando em uma série de distúrbios psicológicos que podem persistir na vida adulta.</p>



<p>O que se observa na literatura existente é a concordância entre os especialistas em reconhecer que a criança vítima de abuso e de violência sexual corre o risco de uma psicopatologia grave, que perturba sua evolução psicológica, afetiva e sexual (Romaro; Capitão, 2007, p. 144, citado por Florentino, 2015).</p>



<p>Além dos traumas psicológicos, o abuso sexual pode causar danos físicos imediatos e a longo prazo, como lesões genitais, doenças sexualmente transmissíveis e problemas reprodutivos. A exposição a situações de violência extrema pode também levar a problemas somáticos, como dores crônicas e distúrbios psicossomáticos.</p>



<p>Dalgalarrondo (2000) indica que alguns estudos apresentam resultados que confirmam existir uma forte relação entre ter sofrido abuso na infância e transtornos de conduta na adolescência e na vida adulta. Alguns transtornos são classificados como transtorno de identidade de gênero. Há também os transtornos de preferência sexual, que incluem as parafilias como fetichismo (dependência de alguns objetos inanimados com estímulo para a excitação e satisfação sexual); voyerismo (excitação sexual em olhar pessoas envolvidas em comportamentos sexuais ou íntimos); sadomasoquismo (preferência por atividade sexual que envolve servidão ou a influição de dor ou humilhação); pedofilia (preferência sexual por crianças púberes); e outras, conforme descritas na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento – CID – 10 (Organização Mundial de Saúde) (citado por Florentino, 2015).</p>



<p>A prevenção do abuso sexual infantil deve ser uma prioridade absoluta na sociedade. É condição de sobrevivência que as comunidades, escolas e famílias estejam bem-informadas e preparadas para identificar sinais de abuso e agir rapidamente para proteger as crianças. Campanhas educativas e treinamentos especializados para pais, professores e profissionais de saúde são essenciais para criar um ambiente de vigilância e suporte.</p>



<p>O acolhimento das vítimas deve ser feito com sensibilidade e empatia. É fundamental que as crianças abusadas recebam apoio psicológico adequado e contínuo, para que possam superar os traumas e desenvolver-se de maneira saudável. Serviços de assistência social, linhas de apoio e centros de atendimento especializados precisam estar disponíveis e acessíveis a todas as vítimas e suas famílias.</p>



<p>Não podemos tolerar a violação dos direitos das crianças. Cada caso de abuso sexual infantil é uma tragédia que demanda uma resposta firme. É nossa responsabilidade coletiva assegurar que todas as crianças cresçam em ambientes seguros, onde possam se desenvolver plenamente sem medo ou ameaça.</p>



<p>Recomendo fortemente a leitura de três livros. Clique no link para comprá-los.</p>



<p><a href="https://amzn.to/4cxcOXV">Abuso Sexual em Família: a Violência do Incesto à luz da Psicanálise</a></p>



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<p><a href="https://amzn.to/3S4ncOt">Em Carne Viva: Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes</a></p>



<p>Psicóloga Auriciene Lidório<br>Registro: CRP 08/20137 &#8211; CNES: 4598431<br>Instagram: <a href="https://instagram.com/psi.auricienelidorio">@psi.auricienelidorio</a><br>Whatsapp: (43) 98823 2903<br>Site: <a href="https://psicareweb.com.br/">www.psicareweb.com.br</a></p>
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